O atleta, que conquistou vagas em 2 mundiais, vai parar na Europa em setembro
Com apenas 19 anos, o atleta aquidauanense Edgar Silva Balbuena já mostra sua garra. No esporte que antes até tinha medo, se revelou um talento graças a muito esforço e dedicação. Assim, descobriu o seu verdadeiro amor na canoagem, colecionando medalhas e títulos nas águas frias e turvas que já remou. Recentemente, inclusive, conquistou vaga não só para um mas dois mundiais e até teve direito de escolha. Vida de atleta.
"No último brasileiro de canoagem maratona, competi com dois atletas olímpicos e fiquei em 3º lugar geral, perdendo apenas para eles dois. Isso me rendeu a vaga em Pitesti, na Romênia, mundial da modalidade que acontece em setembro deste ano. Antes disso, porém, no brasileiro de descida, terminei com o tempo mais rápido e fui convocado para outro mundial, este na Eslováquia. Tive então que decidir qual dos dois iria concorrer", explica.
Com apenas 19 anos, Edgar é o atleta aquidauanense da canoagem que conquistou vaga em mundial na Romênia.Acabou que Edgar optou por experimentar as águas do Rio Arges, na Romênia. Para ele, independente da escolha feita, duas oportunidades muito importantes na sua carreira de atleta. "Vieram para me mostrar que eu ainda tenho muito a crescer na canoagem. Agora, tenho a chance de vivenciar o nível internacional e, quem sabe, aprender técnicas e conquistar novos títulos", diz confiante.
Otimismo que veio de "brinde" após passar por derrota que o quase fez largar a canoagem de vez. Na época, em 2018, a rotina era bastante puxada. "Acordava todos os dias às 4h30 para treinar. Na sequência escola às 7h, trabalho às 14h, academia às 18h e só terminava o dia às 19h-20h. Dali, só queria comida, banho e cama. Fiz isso por 3 meses seguidos", recorda sobre a preparação do Pantanal Extremo.
Edgar compete para as modalides de caiaque extremo, desde sprint ao clássico; você arriscaria remar nessas águas?
Entre medo superado e capotes na água, não faltam histórias na coleção; uma delas, até de equipamento quebrado. "Foram os 20 km de competição mais forte que já havia feito", conta. A disputa estava ferrenha. A poucos metros da chegada, após ultrapassar um adversário e certo que levaria o título, um barco de apoio passou rápido e próximo à sua canoa – e ela virou. "A onda formada me desestabilizou, não consegui cruzar a linha de chegada e fui desclassificado. Chorei pelo resto daquele dia", relembra.
Vontade de Edgar era desistir por completo da vida de esportista, mas o destino lhe reservava águas claras. Em 2019, já com o objetivo de se tornar um atleta de alto rendimento, voltou a treinar "pesado" e foi competir o brasileiro de canoagem velocidade. Chegou apenas na semifinal, em 4º lugar.
Com pai técnico, apoio da família foi fundamental para o jovem persistir no esporte e ter caminho recheado de vitórias.Mas o mel ainda estava por vir. "Fui parar em Ibitirama, no Espírito Santo, e terminei a prova com medalha de ouro em todas as modalidades de caiaque extremo, desde sprint ao clássico. Nisso, conquistei vaga para o mundial que aconteceria no ano seguinte, nos Estados Unidos. Também comecei a receber bolsa atleta pela Fundesporte, o que me ajudou muito a persistir", relata.
Entretanto, os próximos desafios só viriam em 2021, pois com a chegada da pandemia a maioria das competições foram canceladas, inclusive a dos EUA. Sem perder o foco, Edgar continuou a treinar diariamente e quando teve a oportunidade de voltar a competir, foi remar. "Em duas modalidades, tirei ouro e bronze, isso lá em Três Coroas, no Rio Grande do Sul", se orgulha. Mais ainda recentemente, com a notícia do mundial romeno que logo mais está por vir.

Contribuição – Nos altos e baixos da vida de atleta, Edgar sabe bem que nem sempre a água é mansa, a corrente puxa "firme" ou só sua remada ajuda. Também se faz necessário apoio financeiro. "Se trata de uma das principais barreiras que nós atletas encontramos, fora conciliar horários de trabalho, estudo e treino", esclarece.
Além de medalhista na canoagem, o jovem trabalha como auxiliar veterinário para pagar suas contas no esporte, seja nos equipamentos que precisa ou nas diversas viagens que já fez. Porém, para a competição de nível internacional, o quadro é diferente e ele espera por todo o auxílio que puder ter.
"Por isso criamos a vaquinha on-line e coletiva para o mundial de canoagem maratona. Como não se trata de uma modalidade olímpica, a confederação brasileira não ajuda financeiramente, então tenho que contar com todos àqueles que quiserem e puderem contribuir", afirma.
Registro de Edgar no Porto de Corumbá, se preparando para remar nas águas turvas e pantaneiras do Rio Paraguai.Sonhos – O jovem de 19 anos nunca imaginou um dia se tornar atleta de canoagem, muito menos em três modalidades (maratona, descida e velocidade). E tudo aconteceu observando um amigo da família nas águas do Rio Aquidauana.
"Sempre que podia ia torcer pelo Nilton Benite nas competições. Ele disse que seria muito legal eu começar a remar também. Fiquei pensando naquilo, de como seria incrível conhecer pessoas e ainda explorar novos lugares pelo esporte", conta.
Entretanto, foi uma outra atleta de canoagem que doou tempo, mostrou os fundamentos e deu o empurrãozinho que Edgar precisava. "Tinha medo no começo pois o rio assusta mesmo, mas a Luiza Cavalieri sempre me encorajava. Vários capotes depois, fiquei só com o amor pelo esporte", detalha. O ano era 2017.
Um dos poucos registros de Edgar no comecinho do esporte; agora, ele já se tornou um atleta de alto rendimento.
Nas águas do Rio Aquidauana foi onde Edgar teve início na prática da canoagem; com apenas 15 anos já veio o 1º título."Não conseguia nem remar em linha reta, trombava com os outros competidores, era todo atrapalhado. Mas depois de muito treino, me tornei campeão estadual na categoria júnior. Ali, com apenas 15 anos, minha vida de atleta teve realmente início", descreve.
São muitas as histórias e medalhas colecionadas. Entre águas gélidas de cidades brasileiras, pedras e corredeiras, caiaque quase quebrado e remadas bravias, Edgar está a um passo de alcançar rios internacionais. Vamos ajudar nosso atleta?
Doações de qualquer valor podem ser feitas via Pix 67991907907 ou transferência bancária: agência 123-6, conta corrente 109078-X, Banco do Brasil.

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