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Do outro lado

Para aquidauanense que já foi a três Olimpíadas, ser comentarista de uma deu novo "frio na barriga"

Talita Antunes é a jogadora do vôlei de praia que em Tóquio 2020 se viu em desafio de estreia: fazer comentários técnicos nas partidas da modalidade que mais ama

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Para quem já passou como atleta por três edições de Jogos Olímpicos, não seria algo natural sentir o mesmo "frio na barriga" em mais uma. Porém, foi em Tóquio 2020 que Talita Antunes da Rocha, aquidauanense e jogadora do vôlei de praia de 38 anos, reencontrou com aquele mesmo sentimento de estreia.

Desta vez, como a comentarista do esporte que mais ama na vida.

Nascida e criada em Aquidauana, Talita Antunes é a sul-mato-grossense e atleta olímpica do volêi de praia.

"O frio na barriga faz parte e não significa que seja algo ruim. Enquanto eu mesma continuar a sentir essa sensação, seja jogando em quadra ou acompanhando de fora, isso quer dizer que brigar para colocar a nossa bandeira no local mais alto do pódio ainda mexe comigo", confirma.

Primeira vez para Talita, ela pôde sentir o gostinho e a tensão que é acompanhar uma olimpíada pelo outro lado da telinha. Não que ela tenha ficado no "banco de reservas" muito pelo contrário , na realidade virou a especialista de canal privado que comenta com orgulho o esporte que vem "escoltando" sua vida há anos.

Na edição Tóquio 2020, em vez das areias Talita foi parar em estúdio, estreando como comentarista esportiva.

De quebra, voltou a sentir um pouco das emoções que teve na sua estreia em Pequim, no ano de 2008, quando se tornou uma atleta olímpica. Mesma coisa em Londres 2012 e no Rio 2016. Agora, o "frio na barriga" ficou mesmo para a torcida dos outros colegas brasileiros.

"Fiquei muito feliz em ser convidada para fazer parte do time da SporTV, afinal foi a primeira vez que comentei em partidas. Na hora 'H', acho que estava tão ansiosa quanto a minha própria estreia olímpica, mas aos poucos fui relaxando, pegando dicas com os feras de bancada e me sentindo mais à vontade", explica.

Ao lado da ex-ginasta Daiane dos Santos; assim como ela, Talita também fez parte do time de comentaristas.

Infelizmente, Talita não testemunhou o Brasil no lugar mais alto do pódio. Pela primeira vez em 21 anos, os times brasileiros de vôlei tanto masculino quanto feminino saem de uma olimpíada sem ter ganhado medalha ouro, isso na quadra e nas areias.

"Uma pena o volêi brasileiro não ter sido vencedor nesta edição dos jogos e eu não  acompanhar de pertinho uma narração de medalha. Várias das duplas e equipes não chegarem nas finais, mas tenho a certeza de que todos os atletas se entregaram o máximo que podiam naquele momento", comenta.

"Após três olimpíadas que eu mesma participei, essa de agora veio da forma mais inusitada possível: torcendo pela telinha. Não tem como não me sentir junto com todos os meus colegas do esporte!".

Histórico  Talita Antunes foi nascida e criada em Aquidauana. Aos 16 anos, já morando em Maceió, conta que foi buscar seus sonhos. "Foi lá onde fui iniciada no vôlei de quadra, mas acabei dando meus primeiros passos com o pé na areia", brinca.

Por influência da família afinal seu tio era técnico e um primo jogador , ela se jogou nos saques, cortes e bloqueios do vôlei. "Aproveitei todas as oportunidades que me apareceram, uma delas foi jogar com a campeã olímpica Jackie Silva", afirma.

Em 2002, quando se mudou para o Rio de Janeiro, grandes projetos e participações fizeram com que ela acabasse no time Brasil de três edições dos Jogos Olímpicos. Antes disso, 4 vezes campeã brasileira, 3 rainha da praia e 2 vezes ouro no Circuito Mundial de Voleibol de Praia (FIVB Beach Volleyball World Tour).

Desde 2002, Talita vem conquistando títulos e subindo aos pódios; são 4 vezes campeã brasileira e 2 em mundiais.

"De lá pra cá, dei uma pausa na carreira para ter meu filho mas acabei retornei ao esporte no ano de 2019", diz. Sua mais recente medalha foi a de prata nos Jogos Mundiais Militares daquele ano, antes da pandemia.

E por falar nela a covid , a aquidauanense confirma que todo atleta já chega numa edição olímpica muito bem preparado, tentando ao máximo ultrapassar as adversidades.

"Ainda estamos passando por um momento muito difícil, o mundo parou e todos nós tivemos que nos adaptar, controlar a ansiedade e mais. Nossos atletas sofreram e muito, pois alguns até ficaram sem treinar por um período. Então essa de ano 'extra' não foi o dos mais fáceis", opina.

Por ainda curtir a vida de atleta, Talita confirma: "essa ano 'extra' da covid não foi o dos mais fáceis para nós".

Entretanto, da atleta olímpica em Pequim, Londres e Rio para a Talita comentarista em Tóquio 2020, ela diz que "pouco mudou".

"Continuo a mesma sonhadora e pessoa feliz em ter realizado a maioria dos meus sonhos. Hoje me sinto mais completa com a chegada do meu filho e mais tranquila em relação ao futuro, pois aprendi ao longo dos anos que tudo será alcançado quando trabalhamos muito forte o que queremos", deixa de mensagem.

Ao se tornar mãe do Renatinho, Talita deu um tempo das quadras, mas voltou na sequência, no ano de 2019.

Para ela, ver tantos brasileiros medalhistas nesta edição dos jogos mostra que o esporte nacional tem ainda muito mais a crescer.

"Enche o peito de orgulho ao ver um colega subir ao pódio, principalmente sabendo que muitos deles não têm o incentivo adequado. O Brasil tem muitos talentos que infelizmente ficam pelo caminho, por falta desse apoio e patrocínio. Para mim, é absolutamente uma certeza que nosso país poderia ser uma potência esportiva se houvesse o incentivo necessário", finaliza a esportista.

Acompanhe a vida de atleta de Talita em seu perfil no Instagram.

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