Maratonista e saltadora subiram no lugar mais alto do pódio em Tóquio
João Marcelo Correia Sanches
Publicado em 27/08/2021 às 09:59
Atualizado em 10/09/2026 às 14:13
No primeiro dia das provas de atletismo nas Paralimpíadas de Tóquio, o Brasil começou muito bem – e graças às conquistas de dois sul-mato-grossenses ilustres, que subiram ontem (26) ao lugar mais alto do pódio.
A primeira medalha de ouro veio com o campo-grandense Yeltsin Jacques, de 29 anos. Ele disputou a prova dos 5.000 m na categoria T11, dedicada a pessoas com deficiência visual.
O representante de MS no Japão fez o percurso com o tempo de 15min13s62. O pódio foi completado por dois japoneses, Kenya Karasawa, que foi prata com o tempo de 15min18s12, e Shynia Wada, bronze com 15min21s03.
A conquista não foi fácil e veio após uma prova repleta de emoção. Na entrada da última volta, Karasawa ultrapassou o brasileiro de forma surpreendente, dando a impressão de que não seria mais alcançado. Com passadas mais lentas que o japonês, Yeltsin parecia cansado para se recuperar a tempo.
Porém, o atleta de Campo Grande voltou a aumentar a velocidade no sprint final e deu o troco em Karasawa nos últimos metros. O brasileiro cruzou em primeiro com folga, em uma prova histórica para o atletismo paralímpico brasileiro.

Yeltsin Jacques ainda vai disputar a prova dos 1.500 m nesta edição dos jogos, ao lado do também brasileiro Julio Cesar Agripino dos Santos, atual campeão mundial.
Pouco tempo depois, a segunda medalha brasileira entre as modalidades mais tradicionais das Olimpíadas veio com mais uma atleta de Mato Grosso do Sul e, mais uma vez, na cor dourada.
Nascida em Três Lagoas, a saltadora Silvânia Costa de Oliveira se superou e conquistou o bicampeonato olímpico na prova do salto em distância T11, a mesma de Yeltsin. Ela já havia conquistado o ouro na Rio 2016, quando, sem saber, competiu grávida de três meses.
O ciclo olímpico de Silvânia foi repleto de dificuldades, com uma pausa para cuidar do filho recém-nascido (o segundo dela) e uma punição por doping em 2019. A situação ficou ainda mais complicada com a chegada da pandemia, o que reduziu o período de treinos da saltadora a uma janela entre o início do ano e agosto, mês da competição em Tóquio.
Mas os cinco meses de treino, dentro de um ciclo inusitado de cinco anos, renderam um salto cravado de 5 metros – e na quinta tentativa! O número mágico para a três-lagoana garantiu a medalha antes mesmo do sexto e último salto.
Após a prova, Silvânia disse que pretende curtir um merecido descanso com os filhos e deve retornar em breve ao Estado para receber as devidas homenagens.

(Com informações da Agência Brasil)
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