Esporte
Bahia, Bragantino, Ceará, Corinthians, Cuiabá, Internacional e Palmeiras incluíram dispositivo para barrar racismo nas partidas, treinamentos e dentro de clubes
Schimene Duque Weber
Publicado em 20/11/2021 às 15:21
Atualizado em 10/09/2026 às 14:14
Sete clubes da Série A do Brasileirão incluíram cláusulas específicas em contrato que preveem punições, como multa e suspensão, e até demissão, caso funcionários ou jogadores cometam atos de racismo. A medida visa a conter atitudes racistas, mas também é uma forma de as equipes se protegerem juridicamente em situações de discriminação.
No levantamento, o ge questionou os 20 clubes da Série A sobre a existência das cláusulas. Entre eles, Bahia, Bragantino, Ceará, Corinthians, Cuiabá, Internacional e Palmeiras afirmaram ter dispositivos no contrato específicos contra racismo, e outras formas de discriminação, como xenofobia e homofobia.
Equipes como Flamengo, Fluminense, Grêmio, Juventude e Santos afirmaram ter cláusulas que preveem punição a atitudes que desrespeitem seus códigos de conduta, mas sem especificar atos de discriminação. O Atlético-GO afirmou não ter cláusulas nesse sentido. O Atlético-MG disse que não conseguiria participar da reportagem. América-MG, Athletico-PR, Chapecoense, Fortaleza, Sport e São Paulo não responderam às questões enviadas.
Para o criador e diretor-executivo do Observatório da Discriminação Racial, Marcelo Carvalho, a implantação da cláusula é efetiva contra o racismo, desde que seja cumprida pelos clubes, caso ocorram atos de discriminação.
"Ter a cláusula é muito importante, se os clubes tiverem isso, talvez a gente tenha uma mudança de comportamento. Não de comportamento da pessoa. Porque a pessoa, sabendo da cláusula ou não, ela vai cometer o ato racista, mas aí o clube vai poder desligar", afirmou Carvalho.
Todos os clubes afirmaram realizar algum tipo de ação contra a discriminação, como a realização de palestras, lançamentos de uniformes com mensagens de conscientização, campanhas educativas e até parceria com entidades de combate ao preconceito.
Para Marcelo Carvalho, entretanto, as instituições do futebol ainda precisam ampliar essas medidas. Sobretudo, aprofundar, em seus quadros, o nível da informação sobre racismo e outros tipos de preconceito.
"Por exemplo, se um jogador ofende o outro de 'cachopa de abelha' (em referência ao cabelo black) como vimos no caso do Celsinho será que ele entende que é racismo? Será que a justiça vai entender como racismo? Porque senão fica 'não, não cometi ato racista, foi uma piada'. Efetivo é o clube levar para dentro de suas dependências cursos sobre racismo, e envolver jogadores, torcedores, conselheiros, sócios, organizadas. Aí a gente começa o debate mais amplo", concluiu.
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