Esporte e superação
Chiquinho da nova Aquidauana, como é popularmente conhecido o atleta, joga bola desde menino o futebol sempre foi sua paixão
O futebol é uma paixão nacional e mundial, e às vezes, esse fascínio supera qualquer limite, desde emocional ao físico. Esse amor é tão grande que muitos torcedores acabam saindo da arquibancada e entram em campo para jogar. Sendo uma “febre” para torcedores e jogadores, o esporte, que é uma atividade de acolhimento e agrega todo mundo, desenvolveu a modalidade dessa paixão esportiva para amputados. Uma categoria que ainda não está incluída como paralímpica, mas que em nada perde pela qualidade dos atletas que se dedicam, treinam, realizam torneios e que se qualificam a cada ano, rumo a colocar esse gênero como um esporte também paralímpico. Esse gênero tem Campeonato Estadual (com séries), Campeonato Brasileiro e Copa do Mundo.
Nos dias 24 e 25 de junho deste ano, atletas de Mato Grosso do Sul participaram do Campeonato Regional Centro-Oeste, Sul e Sudeste de Futebol para Amputados, em Guarulhos, SP. O time Pantanal Esporte Clube Futebol de Amputados (APEC/MS) garantiu a classificação para a Copa do Brasil, após ficar na segunda colocação do Campeonato. A equipe que disputou quatro partidas, venceu três e empatou uma. A defesa time Pantanal Esporte Clube, feita pelo goleiro Francisco Alberto, o Chiquinho do Nova Aquidauana”, não deixou nenhum dos adversários emplacarem mais que um gol nas partidas disputadas neste campeonato, enquanto os demais jogadores também marcaram goleadas de cinco, quatro, e 1x1, levando a equipe, formada por 18 integrantes a conquistar a segunda colocação.
Futebol além das limitações: Chiquinho, o goleiro amputado que não desistiu da paixão - Foto: Ronald RegisChiquinho da nova Aquidauana, como é popularmente conhecido o atleta, joga bola desde menino o futebol sempre foi sua paixão. Na rotina da vida, certo dia ele sofreu um acidente e teve a necessidade de amputar um braço. Com a nova realidade, o jogador que ficou impossibilitado de atuar na posição que defendia até o acidente, não se rendeu a esse drible e descobriu que poderia continuar praticando essa paixão, que é o futebol.
“Eu sou nascido na cidade de Miranda, eu sofri um acidente de trabalho há alguns anos atrás, e aí me readaptei, voltei para o mercado de trabalho, e há uns cinco seis anos atrás eu fiquei sabendo da possibilidade de jogar na seleção de amputados do Estado. E aí por uns três anos eu fiquei tentando, fiz conhecimento com o pessoal da seleção brasileira com o Dedeu, do Aparecidense, e ele me indicou o esporte para o Pantanal de Campo Grande, aí eles me fizeram um convite de estar fazendo parte do elenco deles. Ano passado eu já disputei algumas competições representando o time, o Estado, no caso o município de Aquidauana”, conta o goleiro.
Chiquinho mostra que o futebol não tem limites - Foto: Ronald RegisHoje, Chiquinho do Nova Aquidauana, é um atleta respeitado, que disputa campeonatos importantes, defendo o clube em que atua; o Pantanal Esporte Clube Futebol de Amputados (APEC/MS), sendo ele o único atleta do município de Aquidauana que está num clube que representa o Estado do MS, não perdeu o gosto pelo esporte e a vontade de estar em campo. Assim, o jogador se adaptou a uma nova realidade dentro do esporte e segue mostrando bom desempenho na posição.
“E nunca fui goleiro, sempre fui jogador de linha. Minha vida inteira desde os cinco anos de idade. Aí após o acidente passou mais alguns anos eu sempre joguei de linha, já disputei vários campeonatos no Estado, mas gol, eu nunca joguei no gol. Essa possibilidade de fazer parte dessa equipe, para ser goleiro tinha que ser amputada, ou ter a deficiência de um braço, porque lá você só pode fazer defesa com uma mão. Então, eu me integrei, me adaptei e faço meus treinamentos graças a Deus. Eu estou aí há um ano e pouco, fazendo meu treinamento para estar bem para estar representando a equipe”, conta orgulhoso Chiquinho.
Chiquinho da Nova Aquidauana: O craque que driblou a vida e seguiu sua vocação no futebol - Foto: Ronald RegisO próximo destino da equipe, será o vestiário onde os jogadores irão colocar seus uniformes e chuteiras para entrar em campo, em setembro, pela Copa do Brasil de Futebol para Amputados, no Rio de Janeiro. A modalidade futebol para amputados surgiu na década de 1980, nos Estados Unidos. É uma adaptação do jogo tradicional disputado em campo de futebol Society, na qual podem participar atletas amputados dos membros inferiores os jogadores de linha e amputação de membros superiores para os goleiros. As federações de futebol para amputados estão presentes em diversos países que organizam competições com dimensões regionais, nacionais e, até, mesmo campeonatos internacionais.
Cada equipe tem sete jogadores, sendo o goleiro amputado ou com alguma deficiência em um dos braços, e os atletas de linha amputados ou com alguma deficiência em uma das pernas. Os atletas não podem tocar na bola de forma intencional com a perna ou braço amputados e também com muleta. O tiro de meta não pode passar do meio campo e o goleiro não pode sair da área.
Ao passar pela necessidade da amputação, que parecia ser um grande desafio, Chiquinho tirou em um passe de letra. No momento, a dificuldade que enfrenta não está dentro dele. Ela é externa, e surge no impasse de conseguir patrocínio para arcar com seus treinos, uma vez que todo atleta, independentemente da modalidade que pratica, necessita custear despesas com os treinos. O talento do jogador se revela mesmo após mudar de posição e modalidade, sem mudar do esporte.
“A base do nosso time, a sede é em Campo Grande. A Fundesporte é a parceira mais forte que a gente tem. O treinamento em Campo Grande é três vezes na semana, mas para mim ele fica um custo muito alto, porque lá treina na terça, na quinta e no sábado. Já começou essa semana, visando a Copa do Brasil, que a gente vai disputar no Rio de Janeiro, em setembro. Já está todos os times classificados, as regionais já aconteceram e todos os campeões e vices das regionais, vai para a Copa do Brasil em setembro, no Rio de Janeiro,” apela o goleiro.
Goleiro amputado mostra que a paixão pelo futebol é inquebrantável - Foto: Ronald RegisA Fundesporte (Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul) é uma aliada desses atletas, mas a equipe e os jogadores necessitam de mais apoio, afinal, sem incentivos financeiros para os treinos, um desportista não segue a carreira e não traz troféus e medalhas para sua cidade, seu estado seu país.
Hoje, o atleta defende o time no gol, com o orgulho dos tempos que foi jogador de linha, com o recorde de marcar o gol mais rápido, em 42 segundos.
O que a grande maioria dos apaixonados por futebol ou não, desconhecem, é que o Brasil é uma das potências mundiais no futebol de amputados. A Seleção Brasileira nessa modalidade é tetracampeã mundial no gênero, que é uma adaptação do futebol convencional para que pessoas com amputação ou má-formação de membros possam jogar com sucesso.
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