Fernando Rufino, 28 anos, de ItaquiraÃ, era peão de rodeio até sofrer um acidente e perder o movimento inferior das pernas. Ele foi atropelado por um ônibus ao cair do veÃculo. ?Eu escorreguei e cai debaixo do ônibus. O motorista não viu e passou por riba de mim?, conta com seu jeito interiorano.
A história que poderia ser uma tragédia virou piada para o ex-peão que agora é atleta. E em vez de se lamentar pela perda da mobilidade Fernando encontrou outras formas de superar o problema. Hoje ele é vice-campeão brasileiro de paracanoagem. ?Pus na cabeça que eu tinha que ganhar e treinei até me tornar campeão?, revela determinado.
Com uma história diferente, mas com a mesma garra Éder Túlio, 22 anos, de Campo Grande, é parceiro de Fernando nos treinos. O jovem teve a perna esquerda amputada ao sofrer um acidente com moto há cerca de um ano e meio.
Ele conta que no começo foi difÃcil, mas precisou reavaliar a vida. ?Quando recebi alta do hospital, vi que ficar reclamando não ia adiantar. Foi difÃcil no começo, eu pensava não vou poder andar de skate, de bicicleta. Só o fato de saber que não poderia fazer me frustrava. Até que um amigo que é amputado me chamou para remar. Aà fui e não consegui me equilibrar no começo e achei graça. Depois de umas três, quatro caÃdas não caà mais?, diz sobre o inÃcio do esporte em sua vida.
Hoje, ele e Fernando treinam para o XXI Campeonato Brasileiro de Canoagem Maratona, que acontece de 19 a 21 de julho, no lago Luis Eduardo Magalhães, Praia da Graciosa, em Palmas (TO). O Campeonato será a única seletiva que irá definir a seleção nacional que poderá representar o Brasil no Campeonato Mundial de Canoagem Maratona, na cidade de Copenhagen, Dinamarca, entre 20 e 22 de setembro de 2013.
Para ficar entre os primeiros e garantir a vaga para o mundial, os dois treinam duro e não reclamam. O treinador Rafael Girotto, 23 anos, explica que o treino é para dar resistência aos atletas, já que no brasileiro a prova é de maratona (longa distância), e devido ao estilo do campeonato eles precisam de fôlego.
Ele lembra ainda que como os dois não estão acostumados a treinar em rio, porque são de Campo Grande e treinam em lagos, o preparo no Aquidauana é para dar resistência e ensiná-los a driblar as dificuldades da correnteza.
Apesar de terem apenas uma semana de treino, Girotto acredita no potencial dos dois e diz que eles estão preparados para brigar pelo titulo. ?Certeza que ficam pelo menos entre os três primeiros?, aposta.
Impressionado com a força dos atletas, lembra que já treinou muitos canoÃstas, mas paracanoÃstas foi primeira vez. ?Para mim também foi um aprendizado muito grande devido à s dificuldades de locomoção dos atletas. Acho que estou aprendendo mais com eles, do que eles comigo?, finaliza.