dothCom Consultoria Digital
Publicado em 31/01/2008 às 17:02
Atualizado em 10/09/2026 às 13:53
Dizem que o frei italiano Mariano de Bagnaia, acusado de não pagar o relógio da igreja que acabara de construir, em 1887, vingou-se rogando uma praga contra os moradores de Corumbá. Expulso, ele enterrou suas sandálias em lugar incerto, afirmando que a cidade somente retomaria o desenvolvimento quando elas fossem desenterradas. Verdadeira ou não, a lenda, pelo terceiro ano consecutivo, foi satirizada na abertura do carnaval corumbaense, reconhecido como um dos melhores do interior brasileiro.
Ontem à noite, quarta-feira, saiu às ruas de Corumbá o primeiro bloco carnavalesco, "As Sandálias de Frei Mariano", marcando a abertura da folia pantaneira que promete muita alegria e brilho nos desfiles das escolas de samba, blocos, cordões, além de shows na Praça Generoso Ponce e outros atrativos previstos na programação da Prefeitura Municipal.
Segundo a Polícia Militar, que garantiu a segurança do grupo, foram cerca de 2 mil foliões que integraram o bloco, criado pela Fundação de Cultura do Pantanal de Corumbá justamente para evidenciar a lenda. "Desde o início da administração do nosso prefeito Ruiter (Cunha de Oliveira) estamos evidenciando tudo que faz parte da nossa cultura, da nossa história. A praga faz parte e o bloco foi criado justamente para evidenciarmos isso. É uma lenda. Nunca acreditamos em praga, mesmo porque Frei Mariano era uma pessoa de bem e fez muito por Corumbá. Era um homem de visão, não era compreendido, mas jamais faria o mal", disse Heloisa Helena da Costa Urt, diretora-presidente da Fundação de Cultura do Pantanal.
O bloco, segundo ela, foi criado justamente para desmistificar esta lenda. Começou em 2006, integrado por funcionários públicos e hoje está crescendo. São pessoas da comunidade e até mesmo de outras cidades que, na noite de ontem, a partir das 20h, já se 'esquentavam' na concentração.
Heloisa Urt ditava o ritmo, fantasiada de rainha do bloco. Do alto do trio elétrico, o conhecido Águia de Fogo, músicos da Banda de Sopro da Escola de Música Manoel Florêncio comandavam o som. No solo, o secretário-executivo de Turismo, Carlos Porto, ditava os últimos retoques para a saída dos foliões.
Já eram 22h10 e todos iniciaram a descida, por coincidência, pela rua Frei Mariano, rumo a avenida General Rondon, sambando ao som de marchas carnavalescas e do próprio samba enredo-enredo do bloco, cuja letra dá um "chispa" à maldição e ao azar, no linguajar pantaneiro, e um basta "ao chulé do padre" - vôte! -, e decreta: "Mas como praga de urubu/não mata cavalo/As sandálias de Frei Mariano/É carta fora do baralho".
Na avenida General Rondon, a folia "correu solta". Com o trio elétrico estacionado em ponto estratégico, os foliões sambaram até o início da madrugada, com direito inclusive a músicas "desenterradas" do fundo do poço, como aquela do gato - "aaaatirei o pau no gato to to..." , entre outras.
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