dothCom Consultoria Digital
Publicado em 28/03/2008 às 14:52
Atualizado em 10/09/2026 às 13:53
A diversidade étnica, cultural, social e religiosa de povos em quatro continentes foi foco, por mais de 20 anos, das lentes de Marcelo Buainain, fotógrafo campo-grandense, produtor e diretor de documentários. No dia 2/4, às 19h, o Museu de Arte Contemporânea realiza bate-papo com o fotógrafo sobre seu trabalho e uma visita guiada pela exposição "Índia - Quantos Olhos tem uma Alma", em cartaz no museu a partir da próxima terça-feira.
Com o tema "Fotografia, Ideologia e Documento", o bate-papo será permeado pela projeção de fotografia das principais reportagens e fotos do 3º livro do autor, "Bahia - Saga e Misticismo". O evento faz parte do "Projeto Paralelos" do Marco, que tem como objetivo fomentar debates e discussões relacionadas com a multiplicidade artística das exposições do museu. A entrada é franca.
Marcelo Buainain já fotografou para as principais publicações brasileiras e estrangeiras. Na Europa, onde viveu 10 anos, publicou três livros, realizou diversas exposições e produziu um vasto acervo de imagens, recebendo premiações que o consagraram como um dos mais talentosos fotógrafos brasileiros. "O que ele fotografa é a alma das pessoas. Retrata o que vemos, mas também o transcendente, o que nossos pobres sentidos não conseguem perceber. Pela singeleza das suas imagens vejo nele um poeta, um mensageiro da luz. A sua câmera é seu estandarte de verdade e de beleza", comenta sobre Buainain o escritor, poeta e filósofo prof. Hermógenes.
Buainain realiza exposição no Marco, a ser inaugurada no dia 1º de abril, ocasião em que lança seu 2º livro, "Índia - Quantos Olhos tem uma Alma" (Lisboa 1998). O livro foi editado e lançado na Europa em 2000. Com 61 fotografias em preto e branco, legendas e poesias de Mahatma Gandhi, Gilberto Gil, Yogananda e Bhagavad Gita, o leitor se deleita nos seus seis capítulos sob forma de ensaio fotográfico. Através das fotografias da Kumbha Mela, a mais importante e impressionante manifestação religiosa da Índia, pode-se observar a relação divinal dos hindus com o sagrado rio Ganges, e, ainda, os tapas (disciplinas austeras e espirituais) praticadas pelos homens santos para atingir a iluminação. Em Sikhs - Guerreiros de Deus, descobre-se o pacífico e compassivo universo dos Sikhs e a comemoração dos 300 anos da fundação desta religião monoteísta, no estado do Punjab. No capítulo Varanasi - a Última Peregrinação, o leitor permeia o transcendente estado da vida e da morte nas práticas dos rituais funerários do crematório de Marnikarnika Ghat, o grande santuário de cremação localizado em uma das cidades mais sagradas da índia. É neste local em que as piras fumegam, dia e noite, as centelhas da eternidade e dos ciclos da reencarnação. Nos capítulos seguintes, outras relações são retratadas, passando, por exemplo, pelas crianças da Índia e por mulheres e homens em atividades laborais.
O livro ganhou medalha de ouro em premiação da Society for News Design (EUA), que assim se pronunciou sobre o trabalho: "A obra de Marcelo Buainain sobre a Índia é um dos trabalhos fotográficos mais comoventes dos últimos tempos. As imagens são persuasivas e certamente exercerão grande influência. Ao vermos as suas fotografias somos transportados para além da superficialidade, permitindo-nos um olhar pessoal sobre o povo indiano, objeto de estereótipos".
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