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O Festival de Inverno de Bonito, a ser realizado entre os dias 30 de julho e 3 de agosto, apresentará o projeto musical Tripé, uma das atrações selecionadas pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul.
Tripé é formado por Paulo Simões, Jerry Espíndola, Guilherme Cruz e Guga Borba, músicos de talento reconhecido e amplo público, do estado. São três gerações ligadas à música, reunidas na proposta de desenvolver os ritmos tradicionais da região, num formato contemporâneo, explorando "o timbre e a acústica da viola e do violão", descreve Paulo Simões.
Paulo Simões acredita que a geração de Jerry e, ainda mais, a de Guilherme Cruz e Guga Borba, assimilam com cada vez mais naturalidade ritmos tradicionais e regionais - como o ¾, por exemplo - agregados pelo rock e pop. Guilherme (que integra a banda Filho dos Livres junto à Guga) diz que esta fusão "já é uma coisa mastigada", resultado do pioneirismo de artistas como o próprio Simões, Geraldo Roca, Geraldo Espíndola e Almir Sater.
"Procuramos repartir o repertório", explica Simões. Composições conhecidas, de cada um deles, ganham novo arranjo e dificilmente são cantadas pelo compositor da mesma. Quem canta a música "Meu Carnaval", da banda Filho dos Livres, por exemplo, são ele e Jerry.
Reunidos em torna da paixão pela música, Paulo Simões explica que o vínculo se estende à vida. "A gente vai aos mesmos lugares, gosta das mesmas coisas, joga futebol junto". Ele conta que conhece Jerry "praticamente desde bebê" e este, por sua vez, já trabalhou várias vezes com Guilherme e Guga.
São quatro artistas, portanto quatro agendas. Não é fácil conciliá-las, mas Paulo Simões garante que, sempre que podem, fazem questão de tocarem juntos. Por se caracterizarem como um projeto - e não como banda - trabalham com muito mais flexibilidade, sem a rigidez ou obrigatoriedade de uma agenda. "Muita satisfação e nenhuma dor-de-cabeça", é como Paulo Simões descreve o "trabalho". E isso se reflete nas apresentações. "Cada show nosso é uma festa!".
O projeto se estruturou com tanta espontaneidade, que Paulo Simões tem dificuldade pra definir o ponto de partida de todo o processo de formação. "Foi muito rápido. Do convite à execução, mal me lembro de ter ensaiado. Era mais uma exposição das nossas idéias, do que uma interação entre elas. Todo mundo se divertiu e nos sentimos na obrigação de continuar", narra.
A intenção, antecipa Simões, é fazer um registro audiovisual. Consciente das transformações no mercado musical, ele é convicto: "Tudo tem que registrar! Se você não gravar um DVD de um show, alguém grava com um celular e manda pra internet". Melhor, ele acredita, que o registro seja uma iniciativa dos músicos, como uma garantia de qualidade.
Já existe material do Tripé disponibilizado no youtube, registrado pelo cineasta Maurício Copetti (diretor do surreal curta-metragem "Nanquin"), que "apareceu em um ensaio e saiu gravando", brinca Simões. "Produção independente tem que contar com a sorte, com amigos".
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