dothCom Consultoria Digital
Publicado em 11/10/2008 às 08:21
Atualizado em 10/09/2026 às 13:54
Mato Grosso do Sul será palco de um grande espetáculo clássico: a Ópera "Madama Butterfly", que será apresentado em apenas dois dias (domingo 12 e quinta-feira 16) no Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camillo, às 21 horas. O show faz parte da programação cultural do Fórum Internacional de Justiça, que reunirá em Campo Grande, de 15 a 17, organismos, entidades, autoridades, especialistas e estudiosos de 40 países para a troca de informações, assinatura de convênios, palestras e debates em âmbito mundial sobre os seguintes temas: Crime organizado, terrorismo, narcotráfico, lavagem de dinheiro, pedofilia, tráfico de crianças e adolescentes, processo e código penal e direitos humanos (direito comparado), entre outros.
Os preparativos e ensaios no centro de convenções estão a todo vapor com as presenças ilustres de membros do elenco da "Cia dell' Opera di Roma - Itália", como a soprano Lúcia Yang, a mezzosoprano Sônia Lee, tenor Fábio Andreotti, maestro Ângelo Inglese, maestro e diretor artístico Sérgio Oliva e o regisseur Luiz Maurício.
Das mais belas óperas de Puccini, Madama Butterfly é um drama que encerra essencialmente um conflito social: o homem ocidental "respeitável" se diverte com uma japonesa, muito graciosa, sem dúvida, mas o matrimônio nada mais é do que um jogo. Ele acabará por desposar uma mulher de sua própria raça. Puccini, conhecedor dos conflitos sociais, soube genialmente trazer do plano privado os problemas da desigualdade das raças, que expressam tão contemporaneamente e além de seu próprio tempo.
Madama Butterfly traz na sua dramaticidade e na sua musicalidade o elemento da verdadeira tragédia: a catástrofe como coroamento inevitável do caráter da gueixa, a vítima do conflito social traduzido no imperialismo ocidental. Confrontada com três alternativas - o casamento com o príncipe Yamadori, o retorno à antiga profissão, ou a morte - fez a escolha mais corajosa. Presa a um conflito moral, anula a si mesma e ressalta a heroína.
Madama Butterfly oferece um magnífico ensaio e estudo da psicologia feminina na música. A personagem-título se desenvolve segundo uma linha contínua e coerente - de esposa-menina no primeiro ato à trágica mulher ao fim da ópera.
O espetáculo é levado a naufragar na sua extenuante doçura, nas cores aveludadas dentro das quais é imersa, na inocência consciente que parece aprisioná-la à solidão. Ante nossos olhos, Butterfly transforma uma infantil recusa à realidade (como vemos em Um bul di vedremo) em uma escolha madura pela morte, ao mesmo tempo em que define o destino do filho. Seu próprio destino é inevitável: quem perturbou a ordem social - como ela fez ao apaixonar-se por um homem a quem deveria divertir - deve restabelece-la com o sacrifício de si mesmo.
Mas a morte, para Butterfly, é uma idéia leiga, aquém de cada palavra de conforto.
Sinopse
Ato I - Japão. Início do século XX. Nu terraço florido no alto de uma colina acima do porto de Nakasaki, o tenente da marinha Americana. B.F. Pinkerton inspeciona a casa que ele acaba de alugar de um corretor de casamentos. Goro, juntamente com três servos e uma esposa gueixa, Cio-Cio-San, conhecida como Madama Butterfly. Para o Cônsul americano, Sharpless, que acaba de chegar ofegante da subida da colina. Pinkerton descreve a descomprometida filosofia de um marinheiro vagando pelo mundo em busca de prazer. Naquele momento, ele está encantado com a frágil Cio-Cio-San, mas seu contrato de casamento de 999 anos contém uma cláusula de renovação mensal por opção. Quando Sharpless o alerta que a moça poderá levar seus votos a sério, Pinkerton põe de lado seu escrúpulo dizendo que ele um dia se casará com uma esposa americana. Cio-Cio-San é ouvida à distância cantando alegremente uma canção sobre seu casamento. Cercada de amigos, diz a Pinkerton como ela teve de tornar se uma gueixa, após sua família ter caído em desgraça. Seus parentes conversam alto, expressando suas opiniões sobre o casamento. Num momento de privacidade, Cio-Cio-San mostra ao noivo suas poucas posses e diz a ele da sua intenção de assumir a fé cristã. O Comissário Imperial conduz a cerimônia nupcial, e os convidados brindam aos noivos. A celebração é interrompida pelo tio de Cio-Cio-San, um monge budista que ruidosamente amaldiçoa a moça por ela ter renunciado à religião de seus ancestrais. Pinkerton, irritado, manda embora os convidados. Sozinho com Cio-Cio-San no jardim, ele lhe enxuga as lágrimas e ela se junta a ele cantando o amor.
Atos II e III (Resumo)
Três anos depois, Cio-Cio-San espera pelo retorno do marido. Suzuki clama ajuda aos deuses, enquanto sua ama permanece á porta com os olhos fixos no porto abaixo. Quando a serva mostra a ela quão pouco de dinheiro lhe resta, Cio-Cio-San implora a ela que tenha fé: um dia a nave de Pinkerton aparecerá no horizonte. Sharpless traz uma carta do tenente, mas antes que tenha a chance de lê-la para Cio-Cio-San, Goro surge com o Príncipe Yamadori. A moça recusa a ambos, insistindo que seu marido Americano não a abandonara. Quando encontram-se sozinhos, Sharpless tenta novamente ler a carta e sugere que Pinkerton poderá não retornar. Cio-Cio-San orgulhosamente apresenta seu filho, Dour (Trouble), dizendo que tão logo Pinkerton saiba que tem um filho certamente retornará: se não. Ela prefere morrer a retornar a antiga vida. Emocionado com sua devoção, Sharpless parte sem revelar o conteúdo da carta. Cio-Cio-San, à beira do desespero, ouve o disparo de um canhão: a nave de Pinkerton chega ao porto. Delirante de alegria, ordena a Suzuki que a ajude a decorar a casa com flores. Quando a noite cai, Cio-Cio-San, Suzuki e a criança começam a vigília.
Ao alvorecer, Suzuki insiste que Cio-Cio-San descanse. Murmurando uma canção de ninar para a criança, ela a leva para outro cômodo. Sem demora, Sharpless entra com Pinkerton, seguido por Kate, sua nova esposa. Quando Suzuki percebe quem era a mulher Americana, cai em desespero, mas concorda em ajudar a contar a verdade a sua ama. Pinkerton, tomado de remorso, despede-se com angústia do lugar feliz e parte. Quando Cio-Cio-San chega esperando encontra-lo encontra Kate.
Deduzindo a verdade, a atordoada Cio-Cio-San concorda em entregar a criança, se o pai voltar para pega-lo. Mandando que todos se retirem, inclusive Suzuki, toma da adaga com a qual seu pai suicidou-se posta-se de joelhos ante a estátua de Buda, preferindo morrer com honra a cair em desgraça. Enquanto levanta a lâmina, Suzuki empurra a criança para dentro do cômodo.
Despedindo-se, Cio-Cio-San o manda brincar no jardim, então apunhala a si mesma. À medida que morre, Pinkerton chama por seu nome.
ELENCO
Lucia Yang
Soprano
Em 1993, a coreana Lucia Yang foi laureada com menção honrosa pela Universidade Chu-Gye de Artes da Coréia do Sul. Transferiu-se para a Itália em 1995 para continuar seus estudo e venceu seu primeiro concurso em 2001, estreando em Il Trovatore, de Verdi.
Vencedora de outros tantos concursos, vem acumulando papéis importantes com amplo repertório: Il Trovatore, La Traviata, Aida, La Forza del Destino, Otello, Luisa Miller, Un Ballo in Maschera, La Boheme, Madama Butterfly, Tosca, Manon Lescaut, Turandot, Suor Angelica, Gianni Schicchi, Don Giovani, Carmen, Pagliacci, entre outras importantes óperas do mundo da lírica, na Itália e em outros países.
Sonia Lee
Mezzosoprano
Graduou-se em canto e música em 1990 na Coréia do Sul, transferindo-se para itália, onde graduou-se em 1993 pelo Conservatorio Rossini de Pesaro. Estreou em 1992 no teatro Rossini de Pesaro com Il barbiere di Siviglia (Berta) de G. Rossini e Petite Messe Solennelle de G. Rossini. Apresentou-se em importantes festivais internacionais como: Festival della Valle d'Itria de Martina Franca quando gravou seu primeiro C.D. com Caritea, Regina di Spagna ( Don Diego ) de S. Mercadante.
Principais papéis: L'ultimo Giorno di Pompei (Menenio ) de G. Pacini ( C.D. ); Macbeth ( Dama ) de G. Verdi; Semiramide ( Azema ) de G. Rossini; de J. Offenbach, I Racconti di Hoffmann (la voix ), Pomme d'Api ( Caterina ), Monsieur Choufleury ( Madame Ballandard );de W.A. Mozart, Le Nozze di Figaro ( Marcellina ), Il Flauto Magico ( Terza Dama ), Messe del'Incoronazione, Messa da Requiem; de G. Verdi, Macbeth ( Dama ), Falstaff ( Mrs Quickly ), Messa da Requiem; de G: Puccini, Madama Butterfly ( Suzuki ).
Discografia C.D.: I Due Timidi ( Signora Guidotti ) di N. Rota. Teatros onde se apresentou: na Italia - Milão, Treviso, Rovigo, Como, Bergamo, Brescia, Cremona, Pavia, Pesaro, Bolonha,Vigevano, Ancona, Roma, Lecce, Palermo, Catania, Messina; no exterior - França Suiça, Japão, Coréia, Colômbia, Brasil, Albânia e Portugal.
Fabio Andreotti
Tenor
O italiano Fabio Andreotti conclui seus estudos em Roma e debutou em 1996 cantando Salve Regina de Haydn, após o que cantou e apresentou-se sob a direção dos Maestros Skandemberg, Nicola Samale, Luca Ferrara e Stefano Vignati.
Fez turnês nos Estados Unidos, Argentina, Japão, Coréia do Sul, Tunísia, Estônia. Turquia e Equador.
Seu repertório inclui: Traviata (Giuseppe Verdi), Rigoletto (Giuseppe Verdi), Messa da Requiem (Giuseppe Verdi), L'elisir d'amore (Gaetano Donizetti), Don Pasquale (Gaetano Donizetti), Lucia di Lamermoor (Gaetano Donizetti), I Puritani (Vincenzo Bellini), Requiem (W.A.Mozart), Madama Butterfly (G.Puccini), Bohéme (G.Puccini). Il Re (Umberto Giordano), Persephone ruolo di Eumolpe (I. Strawinsky), Tosca (G. Puccini), Ballo in maschera (G.Verdi)
Direção Artística
Maestro Sergio Oliva
Nascido em Roma, o advogado Sergio Olivar diplomou-se em música no Conservatorio S. Cecilia Iniciou sua carreira musical em 1975, especializado-se no campo operístico na qualidade de maestro do coro, maestro substituto e diretor musical. Em 1979 estreou como diretor de orquestra noTeatro dell'Opera di Roma, onde dirigiu grandes espetáculos: Aida, Turandot, Nabucco, Rigoletto, Roberto Devereux, Tosca, Boheme. Trabalhou com solistas como Eva Marton, Raina Kabaivanska, Fiorenza Cossotto, Leo Nucci, Nicola Martinucci, Giorgio Merighi, Silvano Carroli, Grace Bambry e Leona Mitchell. Trabalhou também em instituições lírico-sinfônicas na Itália e exterior: Festival dei Due Mondi di Spoleto, l'Arena di Verona, Politeama di Lecce, Teatro dell'Opera di Roma, Luglio Trapanese, Luglio Livornese, Conssergebow de Amsterdam, Kibiki Holl de Kita Kiusciu, Haoka Center Aukland, Teatro dell'Opera di Ankara, Arts Center de Seul, International Festival de Pechino, Festival de Shangai, Leverkussen Arena, teatro S. Gallo, Grieghalle de Bergen. Sua intensa atividade artística o levou a numerosos países: Inglaterra, França, Holanda, Noruega, Romênia, Turquia, Japão, Nova Zelândia, China e Coréia. Professor de direção de orquestra no Conservatorio S. Cecilia em Roma, diretor artístico da Associazione Euridice e da Kiusciu Simphonyn, ,docente na Accademia Boris Christoff e na A.I.D.M. (Accademia Internazionale di Musica).
Angelo Inglese
Maestro
Como compositor o Maestro Angelo Inglese criou peças baseadas em textos de Pier Paolo Pasolini e Luis Cernuda.
Seu repertório como maestro abrange o sinfônico e o operístico, adquirido em apresentações com importantes orquestras italianas e de outros países, entre elas a Orchestra Internazionale d'Italia, a Orchestra Regionale Rome e Lazio, a Orchestra del Teatro La Fenice di Venezia, a Symphony Orchestra of Livorno, a Symphony Orchestra of Messina, a Sinfonietta Orchestra of Paris, a String Orchestra of the Academy of St. Martin-in-the-Fields, a Orchestra Symphonique de Mulhouse (Opéra de Rhin), a National Orchestra of Seoul, a University Orchestra of Pussan (Coréia do Sul), a State Philharmonic Orchestra of Ucraine, the Orchestra of the Opera of Izmir (Turquia), a Symphony Orchestra of Venezuela e a Symphony Orchestra of Galati (Romênia).
Luiz Maurício
Regisseur
Atuando como produtor cultural há mais de 25 anos, Luiz Mauricio tem vasta experiência na montagem de óperas (teatros e open air). Entre seus trabalhos, destacam-se as montagens open air de Aída de G. Verdi, em Campinas, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Fortaleza e Il Guarany de Carlos Gomes, em Brasília, no Estádio Mané Garrincha, com direção cênica de Joãosinho Trinta.
Montou óperas em espaços alternativos, como shopping centers em São Paulo e Brasília, e em estádios de futebol e ginásios em diversas capitais brasileiras, sempre buscando popularizar essa modalidade lírica.
Trouxe orquestras completas do exterior para apresentarem-se no Brasil e promoveu diversos intercâmbios entre entidades sinfônicas brasileiras e músicos do leste europeu - Bulgária e Romênia.
Participou da produção de vários festivais de música na Europa, leste europeu e Brasil.
Como diretor de cena, podemos destacar o Concerto da Independência em Brasília, com a Orquestra Filarmônica da Romênia e coral de 400 vozes, encenado com os Dragões da Independência, a Polícia Militar do DF e a participação da Companhia de Infantaria do Exército (Canhões - Sinfonia 1912 de Chaikovski).
Ultimamente, tem-se dedicado à direção cênica de óperas, entre elas Madama Butterfly de G. Puccini e La Traviata de G. Verdi.
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