dothCom Consultoria Digital
Publicado em 22/11/2008 às 13:05
Atualizado em 10/09/2026 às 13:54
O ritmo das ruas é o som predominante neste final de semana no Horto Florestal. Campo Grande exibe desde sexta-feira o Festival MS Street Dance 2008, com cerca de 350 jovens da Capital, do interior e de Cuiabá (MT). Os 25 grupos de dança reunidos têm aulas e participam de mostras de dança no Teatro de Arena no Horto, até o dia 23.
O coreógrafo responsável pelo evento, Edson Clair, de 44 anos, conta que a primeira edição do Festival foi em 2004, e desde então, eles não haviam conseguido recursos para dar continuidade ao trabalho. Segundo ele, o momento é de capacitar os dançarinos de rua que são, em sua maioria, jovens da periferia, e mostrar à população o trabalho que vem sendo desenvolvido na área.
O coreógrafo André Pires, de 32 anos, veio de São Paulo para dar aulas no festival. O envolvimento com a música começou quando fez faculdade de Educação Física, há 12 anos. Ele defende a dança como forma de ensinar educação e disciplina aos jovens.
Pires conta que ao longo de sua carreira já deu aulas para diversos tipos de alunos, desde famosos como o grupo Fat Family e Alexandre Pires, até alunos da Febem (Fundação de Bem-Estar do Menor). "A dança é ocupação para os jovens e afasta das ruas".
David Santos Freitas, de 20 anos, participa de um grupo de dança chamado Requebra, no município de Nova Andradina. Ele conta que o street dance entrou em sua vida há seis anos, "Isso fez eu ficar longe das drogas e da violência".
O street é "cria" dos Estados Unidos, no final dos anos 60, mas se transformou num fenômeno cultural de alcance mundial. A cena de jovens com grandes aparelhos de som reunidos em grupos nas ruas da periferia das grandes cidades, virou sinônimo de rebeldia da periferia, de mobilização cultural.
O coreógrafo Paulo César, de 30 anos, pratica dança de rua há dez anos. Além dos trabalhos como professor, na Prefeitura de Ladário, ele treina voluntariamente um grupo de 20 crianças e adolescentes de bairros da periferia também de Corumbá.
Segundo ele, o trabalho que desenvolve contribui para afastar os jovens da violência que há nos bairros mais pobres. "Apesar de não acabar com a violência, se cada um fizer a sua parte ela irá diminuir", defende.
O coreógrafo diz que alguns alunos já eram usuários de drogas, e deixaram essa prática depois que começaram a dançar.
As dificuldades não são poucas. Ele não teve, por exemplo, recursos para trazer os integrantes de seu grupo para o festival, mas garante que irá levar o conhecimento que adquiriu até eles.
Já a dona de casa Rosemary Anunciação, de 36 anos, trouxe de Sonora os integrantes do grupo de dança que coordena há dez anos. Vieram com ela 16 jovens. Rosemary teve a dança como rotina durante três anos, quando tinha 16 anos, mas teve que desistir da carreira porque engravidou. "Agora, quero que eles prossigam no caminho que eu não pude continuar".
Bruno Felipe de Souza, de 20 anos, está há um ano no grupo que a dona de casa coordena, e diz que antes de se envolver com a dança não tinha nada de interessante para fazer. "Quero treinar bastante e levar adiante o que já aprendi".
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