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Auto-estima: índias de MS participam de concurso de beleza

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Lideranças indígenas de Mato Grosso do Sul se mobilizam para a realização de um concurso de miss. A mãe da idéia é Silvana Terena, vice-presidente da Aldeia Marçal de Souza. "O que queremos é mostrar a nossa cultura e levantar a auto-estima das nossas meninas", diz Silvana sobre o objetivo maior do concurso, que não se restringe simplesmente à estética, tal como são os eventos dessa natureza entre os não-índios.


A líder indígena argumenta que o concurso é um meio descontraído para colaborar na amenização do que considera um problema entre as jovens índias: o casamento e a maternidade no início da adolescência. "As meninas índias se casam e se tornam mães muito cedo. Com 13, 14 anos já têm filhos. A partir daí, vivem apenas como donas de casa", diz.


Segundo ela, o concurso de miss pode colaborar para que as jovens índias vejam a si mesmas como pessoas capazes de fazer muitas coisas, de superar obstáculos. "As meninas, que participam do concurso, podem pensar assim: 'Se eu participei, eu posso fazer muito mais do que isso'. Elas poderiam pensar, por exemplo, em continuar estudando, cursar uma faculdade", acredita Silvana. "Pensando dessa maneira, essa menina vai dizer: 'Então, eu não preciso casar tão cedo'", conclui.


Regras


O objetivo do concurso, que se relaciona ao alargamento das perspectivas de vida das índias, distancia este evento dos que são realizados entre os não-índios. No entanto, as regras do concurso são semelhantes às dos convencionais.


A escolha da miss, que será na aldeia urbana Marçal de Souza no dia 28 de março, sucede uma série de desfiles, que acontecerão em aldeias de sete regiões (Miranda, Aquidauana, Dourados, Amambai, Nioaque, Buriti e Campo Grande) entre os dias 14 de fevereiro e 21 de março.


Desses desfiles, sairão 15 finalistas: sete pelo critério da localidade (uma por região) e oito pelo quesito etnia. No último dia, as concorrentes desfilarão com vestes típicas de cada etnia.


As inscrições são gratuitas e podem ser feitas com os caciques de cada aldeia. Podem participar jovens indígenas entre 18 e 24 anos. A premiação ainda está sendo discutida, mas já está decidido que a vencedora ganhará um book.


Terena, estudante e postulante a miss


Índia Terena, Daniele Cecé Badela, 18 anos, é uma possível candidata no concurso de miss. "Estou pensando ainda", diz a jovem, admitindo que está tendendo a fazer sua inscrição. "Minhas amigas dizem para eu me inscrever", conta. O incentivo também vem da própria casa de Daniele - o marido dela apoiaria a idéia, segundo conta.


Daniele veio a Campo Grande com dois anos. Ela morava na aldeia Lagoinha, em Aquidauana. "Sempre que dá, eu vou visitar a aldeia", diz. Muitos familiares da jovem índia não saíram da Lagoinha. Ela cursa o Ensino Médio na Escola Joaquim Murtinho e está casada há cinco meses.


Depois de ceder a entrevista e pousar para algumas fotos ao Midiamax, a postulante a miss ficou mais decidida: "Amanhã, eu já vou ver como é que faço a inscrição".

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