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dothCom Consultoria Digital
Publicado em 19/05/2009 às 11:11
Atualizado em 10/09/2026 às 13:54
Por orientação do Ministério da Saúde, todas as secretarias de Estado de Saúde e também as Municipais devem fazer alguma ação para dar visibilidade, mais esclarecimento e facilitar o acesso à população ao teste sobre as hepatites virais, especialmente, no dia 19 de maio.
Esta data é devido à iniciativa do ministério de encabeçar uma campanha mundial sugerida à OMS (Organização Mundial de Saúde) para a criação do Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais.
Para colaborar com a ação, a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES/MS) realiza nesta terça-feira (19) uma grande mobilização na praça Ari Coelho, das 8 às 16 horas, em Campo Grande. Durante este período, servidores da Saúde estarão coletando amostras de sangue da população para realizar exames e verificar se a pessoa possui algum dos vírus da doença (A, B, C e D).
O resultado sai em dez dias e as pessoas que fizerem a coleta devem se deslocar até o Hospital DIA Esterlina Corsini (que é uma das dependências do Hospital Universitário) ou o Hospital DIA Nova Bahia (saída para Cuiabá) para pegar o resultado e saber se possuem ou não o vírus.
Antecipando à mobilização desta terça-feira (19), a SES fechou parceria com o Shopping Campo Grande e, desde sábado (16), estão sendo distribuídos nos guichês de pagamento de estacionamento panfletos informativos sobre a doença. A ação deve continuar até amanhã.
Em Mato Grosso do Sul os dados sobre hepatites virais exigem atenção. No ano de 2008 foram notificados, de acordo com o Sistema de Informações de Agravos de Notificação - do Ministério da Saúde -, 271 casos de pessoas com o vírus A, 392 com o tipo B e 231 com o vírus C, além de 15 notificações de pessoas que apresentaram dois tipos de vírus.
Em 2009 já foram registradas 100 notificações de pessoas com vírus A, 94 com o B e 53 com o tipo C, mais três notificações de pessoas com dois tipos de vírus.
As ações da SES em relação à prevenção e esclarecimentos da doença são constantes: a equipe do Programa Estadual DST/Aids e Hepatites Virais realiza capacitações com os profissionais da saúde, em especial, com aqueles que estão no grupo de risco devido ao tipo de trabalho que exercem (enfermeiros, cirurgiões, técnicos de enfermagem, por exemplo). A última capacitação aconteceu em abril e contou com a participação do Coordenador Nacional de Hepatites Virais, do Ministério da Saúde, Ricardo Gadelha.
A secretaria também confecciona prospectos informativos para a população e distribui material necessário para a realização dos testes para detecção ou não dos vírus da doença (investimento tanto Estadual quanto Federal).
Mato Grosso do Sul possui 10 unidades de Serviço de Atendimento Especializado (SAE) nos municípios de Campo Grande (2), Dourados, Ponta Porã, Corumbá, Coxim, Paranaíba, Três Lagoas, Jardim e Aquidauana, além das Unidades Dispensadoras de Medicamentos: uma em Nova Andradina e outra Bela Vista, onde a população pode procurar os serviços.
Para o Brasil, a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) possui estimativa de infecção pelo vírus A de aproximadamente 130 casos novos por 100.000 habitantes ao ano e de que mais de 90% da população maior de 20 anos tenha tido exposição ao vírus. Entretanto, com as melhorias nas condições de saneamento, alguns estudos têm demonstrado um acúmulo de probabilidades em desenvolver a doença em adultos jovens acima desta idade.
O número de notificações não reflete a real incidência da infecção, pois a grande maioria dos acometidos apresenta formas assintomáticas (sem sintomas) ou oligossintomáticas (apresenta poucos sintomas), sendo dificilmente captados. Estados e municípios estão em diferentes estágios de implantação do sistema utilizado pelo Ministério da Saúde - universal e passivo, baseado na notificação de casos suspeitos - refletindo diferentes níveis de sensibilidade e de capacitação das equipes das vigilâncias epidemiológicas.
O ministério esclarece que como a doença pode levar anos para se manifestar e até 1993 não havia controle sorológico para evitar a infecção nas transfusões de sangue e nos transplantes (principalmente), as pessoas que se submeteram a estes serviços, antes dessa data, devem ficar alertas e procurarem uma unidade do Sistema Único de Saúde (SUS) para a realização do teste.
Exame
A hepatite C merece atenção especial dos serviços de saúde e da população porque pode evoluir para a forma crônica. A maioria dos portadores só percebe que está doente anos após a infecção, quando esse processo já ocorreu. Se o vírus não for eliminado pelo sistema de defesa do organismo - o que acontece, em alguns casos - há grandes chances de em 20 ou 30 anos a doença se transformar em uma cirrose e em câncer no fígado. Se o diagnóstico for positivo, o paciente será encaminhado para uma unidade de média complexidade para a realização de exames mais especializados e para a biópsia hepática. A partir daí, o portador terá direito ao tratamento oferecido gratuitamente pelo SUS.
O tratamento para hepatite C é feito por meio da substância imunobiológica Interferom (antiviral produzido pelo organismo humano e que combate o vírus causador da doença) e de um medicamento (ribavirina).
O sucesso do tratamento varia de acordo com alguns fatores, como o genótipo do vírus, e o estágio da doença. No início do tratamento as pessoas podem ter efeitos colaterais, como dores no corpo, náuseas, febre e até depressão. É preciso que o paciente tenha sempre um acompanhamento médico e faça periodicamente avaliações clínicas. Caso esse tratamento não seja eficaz, o transplante de fígado pode ainda ser uma opção.
Certos grupos sociais recebem atenção especial do Ministério da Saúde para abordagem das hepatites B e C. Em relação à hepatite B, além de até 19 anos, outros grupos de maior vulnerabilidade, como transgêneros, população indígena, profissionais do sexo e pessoas presas também recebe a vacina.
Para evitar novos casos da doença, o ministério recomenda a utilização de material esterilizado ou descartável em serviços de saúde, salões de beleza e nas lojas de tatuagens e colocação de piercings. O órgão federal também alerta para o não compartilhamento de agulhas e seringas. E lembra que é indispensável o uso de preservativos nas relações sexuais.
Para ter direito ao tratamento, a pessoa deve receber o diagnóstico da doença. São 250 centros de testagem e aconselhamento (CTAs), treinados para oferecer exame. Quando se identifica um portador, ele é encaminhado aos serviços de maior complexidade para aprofundar a investigação clínico-laboratorial e receber tratamento, caso necessário.(Com informações do Ministério da Saúde)
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