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Pecuaristas do Pantanal e Aquidauana têm pior ano

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Depois de uma cheia atípica, com o nível do Rio Paraguai não refletindo a realidade da planície, o frio que ainda persiste em algumas regiões e a seca estão matando o gado pantaneiro por falta de pasto e água. Além das perdas, o reflexo pior virá no próximo ano, com a queda no índice de produtividade decorrente da má condição sanitária das matrizes.


No Paiaguás, sub-região do Pantanal, ao norte de Corumbá, a baixa temperatura na madrugada é um contraste com o dia quente e essa variação debilita ainda mais o gado enfraquecido com a longa cheia. "Quando chega a madrugada tem que puxar coberta. Isso, segundo os antigos, quer dizer que a chuva será pouca", diz o fazendeiro Manoel Martins de Almeida, que tem propriedade na localidade.


A situação é crítica, segundo o presidente do Sindicato Rural de Corumbá, Pedro Lacerda. As chuvas que ocorreram em todo o Pantanal até agora não foram suficientes para recuperar também o lençol freático e açudes estão secando em algumas fazendas. Cenário que também ocorre em outras áreas da planície, como em Aquidauana.


"Fui obrigado a usar um caminhão-pipa para tirar água do rio e jogar no meu açude, senão o gado morreria de sede", relatou o pecuarista Valfrido de Almeida. Ele já perdeu 12 vacas nas últimas semanas e hoje enfrenta outro drama: o fogo queimou o pasto (formado) reserva e o gado está sendo alimentado com suplementação, o que inviabiliza a produção.


Atoleiro
No desespero por água, os animais estão entrando nos açudes e acabam ficando presos ao barro, e morrendo. Carcaças de animais se multiplicam próximas aos bebedouros e corixos. Valfrido Medeiros, que tem rebanho de 700 animais, conta que já salvou vacas prenhas que ficaram atoladas, retirando-as com a ajuda de peões e trator.


"Enfrentamos o pior dos últimos 30 anos", alerta o fazendeiro, preocupado com a redução de bezerros em 2008. "As vacas prenhas estão com pouco peso e não vão reproduzir no ano que vem", prevê. O pantaneiro já amarga prejuízos com a queda na comercialização - fraco, o gado não suporta viagens longas, de boieiro (transporte fluvial) ou por comitiva.


Falta de apoio
A cheia considerada normal neste ano, segundo Manoel Martins, não é parâmetro para medir o impacto na pecuária pantaneira. Ele reclamou da falta de apoio do Estado, que não ratificou o estado de emergência decretado pelo município de Corumbá. As consequências de uma enchente deixam sequelas por três anos, segundo ele.


"Os níveis dos rios mentiram. Choveu muito na planície, com grande concentração de água, e a situação agravou-se com a chegada da vazante sem chuva. O pasto apodreceu e as gramíneas que estão brotando não são suficientes para alimentar o gado", relata. "Até parece que produzimos aqui a indústria da cheia. O Governo mais uma vez nos abandonou".

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