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Futuro da pecuária pantaneira em discussão

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Sem crédito que contemple a sazonalidade da região, que tem ciclos de seca e cheia que tornam insustentável o custeio da fazenda, o pecuarista do Pantanal enfrenta ainda o revés do acesso difícil - por terra ou água - e a baixa produtividade do rebanho pela característica secular da atividade extrativista. Somado a isso, o banco ainda fecha a porteira para renegociar dívidas.


Semana passada, em Corumbá, o debate em relação à falta de competitividade da carne ecologicamente correta do Pantanal abriu a discussão do futuro dessa pecuária, que chegou há mais de 250 anos à planície. Aliada à introdução de tecnologias de produção o uso sustentável dos recursos naturais para criação do boi deve ser um valor agregado para atrair o mercado e o consumidor.


Corumbá é o maior centro criador de bovinos do País, com cerca de 2 milhões de cabeças, mas ao longo de décadas a região vem sofrendo um processo de descapitalização do pantaneiro, que está vendendo suas terras por inundação ou falência ou entregando ao banco, ou ainda, abandonando-as. O desastre ambiental do Rio Taquari, por exemplo, inviabilizou centenas de fazendas.


A resistência governamental para homologar o decreto de emergência no município, por conta de uma forte cheia esse ano, revelou o descaso e a visão tecnocrata dos órgãos ministeriais em relação à pecuária do Pantanal, segundo o Sindicato Rural de Corumbá. Somente em outubro, com a região sendo castigada por uma estiagem de 120 dias, é que o decreto foi reconhecido.


Sustentabilidade
O encontro realizado na cidade para tratar da cadeia produtiva bovina no Pantanal sul-mato-grossense, reunindo produtores e pesquisadores, suscitou todas estas questões. Também apontou que a classe produtora não é unida, portanto não fortalecida o suficiente para exigir um tratamento diferenciado. E ainda: a Embrapa Pantanal, criada nos anos 80, ficou equidistante dessa problemática.


Ainda vista com ceticismo por pecuaristas tradicionalistas, a reunião - o primeiro workshop para conversar sobre o futuro do negócio - foi uma iniciativa da unidade da Embrapa sediada em Corumbá e houve alguns consensos. Por exemplo, o uso da sustentabilidade como vantagem competitiva. A harmonia entre a atividade e a natureza pode render à cadeia produtiva um diferencial de mercado.


A presença dos setores envolvidos, do produtor ao frigorífico, resultou na criação do Fórum da Cadeia Produtiva Bovina do Pantanal. Tarefa: apontar soluções para cinco problemas do setor: classificação área 2 (regra de mercado que limita a exportação de carne produzida no Pantanal), capacitação e extensão rural, falta de valorização da produção ambientalmente correta, infra-estrutura e rentabilidade.

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