dothCom Consultoria Digital
Publicado em 26/12/2007 às 11:08
Atualizado em 10/09/2026 às 13:53
O final do ano sempre renova as expectativas das pessoas. Quem está à procura de uma reviravolta na vida, sempre aposta num novo ano e em novas conquistas.
Agora, imagina se você pudesse contar uma grande história. Uma daquelas que poucos conseguem contar, porque poucos são vitoriosos. Daquelas de quem saiu do nada. Pois é nesse cenário que transcorre a vida do pastor Eudes Silva.
Nascido e criado na cidade de Esperantina, no Piauí, Eudes decidiu sair do seu Estado para tentar a vida em São Paulo. Assim como muitos nordestinos, o atual pastor deixou sua família - pai, mãe e nove irmãos - aos 19 anos, e foi em busca de um sonho, vencer na vida num mundo diferente.
Chegando à capital paulista, ele foi trabalhar como servente em uma construtora. Morou em diversos bairros de São Paulo, mas escolheu o Bairro de São Miguel Paulista - Zona Leste - para fixar moradia.
Até então, Eudes conseguiu sobreviver - com um salário mínimo - na terra dos gigantes ou selva de pedra, como muitos nordestinos se referem a São Paulo. Porém, após alguns meses, ele foi demitido e seus problemas começaram. "Foi nessa época que a miséria bateu em minha porta", disse.
Com o desemprego veio também a fome, mas Eudes contou que não queria retornar para Esperantina e decidiu tentar novamente a vida na metrópole. Do dia desta decisão, foram nove meses de agonia e fome. Ele contava apenas com a solidariedade de alguns conhecidos do Bairro São Miguel Paulista. "Um dia o dono da padaria me ajudava e dava algo para eu comer, no outro era um ex-vizinho e assim eu fui vivendo".
Quando mudou o Governo e Fernando Collor de Melo sofreu impeachment, passando a Presidência da República para José Sarney, o País teve uma pequena melhora e Eudes conseguiu uma ocupação na cidade de Cubatão, interior do Estado. "Estava tão faminto e desesperado com a minha condição que pedi a Deus. Disse: Deus, eu sou um bom filho...(sic)", fui atendido".
Recomeço
Já em Cubatão, Eudes foi trabalhar como servente em uma empreiteira de manutenção. Foram três meses de carteira assinada, moradia garantida e um pouco de dinheiro no bolso e um restante para enviar à família no Piauí. Porém, depois deste período, o contrato acabou. Apesar do desemprego, ele decidiu permanecer em Cubatão e buscar nova ocupação. Doente, por causa do tempo em que viveu nas ruas de São Paulo, Eudes encontrou dificuldade de arrumar um novo emprego, novamente a miséria.
Foram 18 meses de vida nas ruas. Sem casa, trabalho e comida, ele foi viver num terreno baldio, junto com mais quatro mendigos. "Este período em Cubatão foi o pior da minha vida, estava sem dinheiro e muito doente".
A doença, uma pneumonia não tratada, só dificultou as coisas. Apesar de receber tratamento na rede de saúde pública, a falta de estrutura retardou a sua melhora. "Eu só tinha ratos e baratas como amigos, estava doente, solitário, vazio e oprimido", declarou.
Novamente desesperado, Eudes Silva pediu a Deus. "Voltei a falar com Deus, me apeguei a ele e fiz um acordo...(sic)...que ele me desse um trabalho e em troca daria a minha dedicação", contou.
Foi então que ele foi até a prefeitura do município e encontrou, segundo ele, o seu primeiro anjo. "Tinha um homem na porta, eu disse que procurava um emprego. Ele pegou minha carteira e subiu, quando voltou já tinha arrumado um trabalho para mim, era Passareli Júnior, o filho do prefeito".
Trabalhando como faxineiro, na prefeitura, Eudes começou a se levantar. Com salário mensal, ele decidiu cumprir seu acordo com Deus e foi buscar alimentar sua fé em uma igreja.
Em 1995, novamente, Eudes quis apostar numa reviravolta na sua vida. "Eu limpava os banheiros do Paço Municipal, queria melhorar de vida".
Eudes conta que quando sua vida espiritual melhorou, ele não aceitava mais ser faxineiro e foi pedir uma nova chance ao filho do prefeito, que o ajudou pela primeira vez. "Eu disse que não queria mais ser faxineiro e ele falou que eu estava demitido. Fiquei surpreso porque fui pedir para melhorar de vida e acabei desempregado. Mas, depois de um mês do aviso prévio, eu soube que estava contratado para ser eletricista".
Para selar a sua vitória, Eudes conheceu a sua atual esposa, hoje, a missionária Francinês. "E ganhei o apoio de uma família".
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