dothCom Consultoria Digital
Publicado em 17/01/2008 às 09:37
Atualizado em 10/09/2026 às 13:53
A possibilidade de racionamento começa a provocar preocupação entre consumidores de estados que geram pouca ou nenhuma energia, como é o caso da região Centro-Oeste. "Na nossa região o caso é mais grave que no restante do País, porque registramos um consumo de 5,1% contra a média nacional de 4,8% no mês de dezembro de 2007", destaca o consultor do Instituto Brasileiro de Economia e Finanças (Ibecon), Jenner Ferreira.
Embora o aumento no consumo de energia signifique um indicativo de crescimento econômico, Jenner frisa que, por outro lado, é preocupante, porque a falta de oferta não garante a sustentação desse crescimento. "Outro ponto preocupante para o Centro-Oeste é que, no apagão e racionamento de 2001, a energia que faltou aqui foi garantida pelos estados do Sul, que tinham sobra de energia, mas neste ano a situação é diferente, pois o nível máximo dos reservatórios está apenas 12% acima do registrado em 2001", alerta.
No mês de dezembro do ano passado, 63% dos reservatórios (12 unidades) apresentaram nível abaixo daqueles registrados em dezembro de 2001. A tendência é de queda desde setembro no subsistema que atende a região Centro-Oeste. "Hoje a energia armazenada é de apenas 43% acima da reserva de 2001. O preocupante é que em setembro estávamos 200% acima dos níveis de 2001 e em apenas três meses já caímos para 43%".
Reajustes
Outro ponto delicado, segundo o consultor, é que Mato Grosso do Sul passa por uma revisão tarifária no momento em que se fala de aumento nos preços de energia. Mas ele alerta que os consumidores não terão reajuste nos preços este ano, porque para 2008, a planilha de custos já foi fechada e o impacto na tarifa para abril - data de reajuste - não pode ser modificada. "Não tem fundamento falar em aumento de energia por conta do risco de apagão. Seria muita leviandade alterar preços por conta desse problema", diz.
Mesmo com a negativa do ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner, de que não existe risco de que aconteça racionamento, Ferreira concorda que ele não ocorra em 2008. "Mas para 2009, se algo não for feito, poderá haver racionamento. Os indicativos são muito fortes", comenta. A solução para o problema, de acordo com o consultor, será a imediata recuperação do atraso das obras das hidrelétricas e a construção de novos parques geradores.
O risco de apagão é palpável e o Instituto Acende Brasil elaborou um estudo, apontando que um risco de até 5% seria gerenciável, porém, acima disso é temeroso, revela o consultor. Para 2011, o Instituto aponta, com base em um cenário equilibrado entre o PIB e a oferta de energia, um risco em torno de 14%.
País
Jenner Ferreira também analisa a relação entre oferta de enErgia e o PIB. "Se considerarmos o crescimento do PIB em 0%, seria necessário um incremento, na oferta de energia, de 3,5%. Se o PIB 2007 é de 5,2% e a oferta de energia para o País em 2007 ficou em 4,8%, podemos ver um quadro preocupante".
Outro ponto a ser considerado é que, segundo ele, as indústrias não têm um Plano B, no caso de racionamento de energia. O que fatalmente acontecerá é a redução da produção. A consequência será o desemprego e o comprometimento do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
Além disso, estudos comprovam que nos próximos dez anos o preço médio da energia subirá 20,3% e chegará a um aumento de 34,5% no caso da energia consumida pelas indústrias. Esses aumentos ficarão 19,1% acima da renda média do brasileiro.
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