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Jovem brasileiro que vive no Timor Leste fala ao O Pantaneiro sobre a situação no país

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A paixão pelo livro "A arte da guerra", de Sun Tzu, que conceitua como uma obra excelente na área de estratégias e gestão, explica a paixão do jovem George da Silva pelo trabalho em regiões de conflitos e carências.


Ele viu a mão de Deus numa porta que se abriu para trabalhar num projeto humanitário das Nações Unidas, em Timor Leste, na área de defensoria pública. Depois, recebeu um convite do governo de José Ramos Horta, presidente do país, para atuar no Ministério Público e não hesitou em aceitar o desafio.


Estabelecemos contato com esse jovem cristão protestante, ligado a Igreja Presbiteriana do Brasil, por indicação do Rev. Vivaldo S. Melo, pastor da Igreja Presbiteriana de Aquidauana, logo após os atentados contra Ramos Horta e o primeiro ministro Xanana Gusmão. Ele é um dos brasileiros que atuam na região, prestando serviços especialmente nas áreas da educação e justiça.


"Por aqui está tudo aparentemente tranqüilo", informa George, sempre atento as informações que chegam da Austrália sobre o estado de saúde de Ramos Horta, internado em um hospital daquele país, onde se encontrava em coma induzido, respirando por aparelhos, no momento de nosso contato.


Trabalhar no Timor Leste, segundo George, é um desafio que exige muito controle. A miséria é muito grande. "A renda per capita diária do povo timorense está pouco acima de um real", observa. Mas, por outro lado, o país tem uma grande fonte de riqueza, o petróleo. O paradoxo é explicado pela falta de pessoas qualificadas para atuarem em áreas estratégicas. Há um fundo que mantém os recursos oriundos da prospecção de petróleo, mas os recursos não são disponibilizados no momento, para evitar especialmente a corrupção.


George conhece de perto os personagens centrais envolvidos nos atentados que chamaram a atenção da comunidade internacional, nesta semana. Além de contato permanente com órgãos governamentais, especialmente do Ministério da Justiça, ele já atuou em julgamentos envolvendo elementos da guerrilha que faz oposição ao governo e responsável pelos ataques. Alfredo Reinaldo, o comandante rebelde, que teria sido morto no local do atentado contra Ramos Hortas por guardas da presidência, já foi comandante da Polícia timorense, tendo se rebelado com um grupo de insurgentes.


Perguntado se acredita no êxito do projeto que visa possibilitar o reerguimento da mais jovem nação asiática, depois que o caos se estabeleceu em 2006, após uma tentativa de golpe de Estado, o jovem brasileiro responde afirmativamente. As cenas de 150 mil timorenses deixando suas casas para salvar a vida, impactaram o mundo, revelando a fragilidade de suas vidas, marcadas especialmente pela desnutrição. Desde então uma Força Internacional de Segurança estabeleceu-se na região, formada por soldados da Austrália, Malásia, Nova Zelândia e Portugal. A esperança de um futuro melhor passa pelo restabelecimento da saúde de Ramos Horta, ganhador do Premio Nobel da Paz em 1996, pois seu discurso e práxis têm forte apelo antiviolência. Quanto a possibilidade das reservas de petróleo fomentarem intervenções na região, George prefere não se manifestar, embora muitas vezes o silencio fale por si só. A prudência, no seu caso, é recomendável, pois George não esconde a pretensão de fazer parte, no futuro, do Tribunal Penal Internacional de Haia, Holanda, criado pelas Nações Unidas em 1945, para julgar as questões internacionais mais complexas. "Carismático, inteligente e conciliador como é, certamente poderá chegar lá", observa o Rev. Vivaldo S. Melo, amigo pessoal do jovem jurídico.


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