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dothCom Consultoria Digital
Publicado em 15/02/2008 às 12:40
Atualizado em 10/09/2026 às 13:53
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse nesta quinta-feira, em Belém, que o governo deverá divulgar uma lista com os 150 maiores desmatadores do país.
Até dezembro, serão realizadas 120 operações contra o desmatamento no Pará, com a participação de policiais federais, fiscais do Ibama e policiais militares e civis do estado.
Na quarta-feira, cinco madeireiras da região de Tailândia, no Sul do Pará, foram flagradas realizando desmatamento ilegal. Até o momento, 10 mil metros cúbicos de madeira ilegal foram apreendidos, o equivalente a um carregamento de 500 carretas, ou R$ 3 milhões. Segundo o governo do Pará, a operação Guardiões da Floresta deverá dobrar o volume de madeira apreendida sem certificação este ano.
Em Belém, Marina participou do Seminário de Avaliação e Planejamento das Ações de Monitoramento e Controle dos Desmatamentos na Amazônia, na companhia da governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT). A ministra lamentou que alguns parlamentares da região digam que não é preciso certificar a produção de madeira, grãos e carne na Amazônia.
Marina afirmou que sua pasta está trabalhando pela implementação do decreto 6.321, de 21 de dezembro, que aperta o cerco à atividade de extração ilegal de madeira na Amazônia, e mais uma vez descartou qualquer possibilidade de o governo conceder anistia aos desmatadores.
- Não haverá anistia. Não reduziremos a reserva legal - disse a ministra.
Marina anunciou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai convocar uma reunião com os governadores dos estados da Amazônia Legal (Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Tocantins, Rondônia, Roraima). Segundo a ministra, Lula chamará também os prefeitos dos 36 municípios que mais desmataram a floresta nos últimos anos para pedir o engajamento de todos no combate aos desmatamentos.
Marina: produtores rurais em situação legal não precisam temer decreto
A ministra do Meio Ambiente disse ainda que os empresários do agronegócio na Amazônia que estão em situação regular não precisam se preocupar com o decreto presidencial que restringe o crédito de bancos oficiais aos municípios que mais desmatam.
De acordo com a ministra, o decreto reafirma a presença do Estado na Amazônia.
- Quem fez certo não precisa ficar com medo. Agora, os que fazem errado, em enfrentamento à lei e ao Estado, aí não tem como ter conivência. Nós temos que, para o próprio bem da Amazônia e o bem dos empreendedores, acabar com essa história de que a Amazônia é terra de ninguém. Isso só prejudica o meio ambiente e prejudica a própria atividade agropecuária no nosso país - afirmou a ministra.
A ministra completou:
- Teremos reuniões com os bancos públicos para que não se dê financiamento, nem apoio a atividades que sejam ilegais - disse.
Estimativa do sistema Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) aponta que o desmatamento na Amazônia pode ter atingido 7 mil quilômetros quadrados nos últimos quatro meses do ano passado.
A área ambiental do governo federal tem sido criticada pelos ruralistas que avaliam que as medidas contra o desmatamento foram baseadas em informações não confirmadas.
O diretor de Proteção Ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Flávio Montiel, contesta as críticas e defende o monitoramento da floresta.
- Nenhum sistema é perfeito. Quando o Deter estava apontando indicativo de queda, ninguém questionou os dados. Agora, quando quando começa a crescer (o indicativo de desmatamento), começam a questionar, por quê? Qual interesse está por trás disso? Isso é que a gente precisa esclarecer. Essa argumentação precisa estar transparente - disse Montiel.
Flávio Montiel e a ministra Marina Silva estiveram nesta quinta-feira, em Belém, no Seminário de Avaliação e Planejamento das Ações de Monitoramento e Controle do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento, promovido pelo Ibama, que contou com a participação da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, do Exército e da Marinha.
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