dothCom Consultoria Digital
Publicado em 18/02/2008 às 09:24
Atualizado em 10/09/2026 às 13:53
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) criticou a afirmação do ministro Reinhold Stephanes (Agricultura) sobre aceitar o limite imposto pela União Européia de 300 fazendas habilitadas para exportar carne bovina "in natura" ao bloco.
"Nós produtores não vamos aceitar isso. Se o governo quiser aceitar, o problema é dele. O governo quer baixar a cabeça para os europeus. Nós vamos continuar a repudiar [a negociação]", disse o presidente do Fórum Nacional de Pecuária de Corte da CNA, Antenor Nogueira.
Stephanes disse, segundo o jornal "Folha de S. Paulo" , que o Brasil vai ter que aceitar a lista de 300 fazendas. O ministro afirmou que o ideal seria "habilitar" entre 4 mil e 5 mil propriedades.
Nogueira afirmou que o número imposto pela União Européia é insignificante para o tamanho do Brasil. "300 fazendas e nada é a mesma coisa. Isso é a mesma coisa que cinco fazendas por frigoríficos. A gente não consegue exportar nem um contêiner com esse número", disse o representante da CNA.
O presidente do Fórum de Pecuária de Corte sugeriu ainda uma postura radical na negociação com os europeus. Para ele, o Brasil deveria suspender as negociações já que o veto da UE sobre as carnes "in natura" representam menos de 3% de toda produção nacional de carne processada.
O presidente da CNA, Fábio de Salles Meirelles, havia dito na última quarta-feira (13) que a decisão do governo de apresentar uma lista com 600 propriedades habilitadas, que já foi rejeitada pela União Européia, poderia abrir espaço para uma restrição permanente do produto.
"A lista pode ser uma forma de restringir permanentemente as exportações", disse Meirelles durante audiência pública na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária.
Encontro
A afirmação de Stephanes ocorreu após a União Européia não concordar com a lista de fazendas em condições de exportar carne para o bloco econômico. Os europeus alegaram no encontro de sexta-feira (15) que o Brasil não controla nem fiscaliza corretamente o rebanho nacional.
O embargo à carne brasileira teve início em 1 de fevereiro -um prejuízo diário de U$ 5 milhões (cerca de R$ 9 milhões).
O Brasil exporta apenas 5% da produção nacional total aos europeus, ou 543,6 mil toneladas em 2007, dessas apenas 287 mil toneladas (2,8%) estão sob embargo, que são os cortes "in natura". O veto da UE não abrange os itens industrializados.
No entanto, o Brasil tem grande interesse nesse mercado "in natura" devido à qualidade das vendas. A Europa importa carnes nobre, como alcatra e filé, produzidas em seis estados do país (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás e Mato Grosso).
No total, as exportações brasileiras para o bloco totalizam US$ 1,1 bilhão anuais (cerca de R$ 1,95 bilhão), o que faz da União Européia o principal mercado para o produto in natura brasileiro, segundo a associação dos exportadores.
Inspeção
Na reunião entre representantes do governo brasileiro e da União Européia, em Bruxelas, ficou acertado que uma delegação de veterinários europeus virá ao Brasil no dia 25 de fevereiro para inspecionar entre 35 e 40 fazendas brasileiras.
Após a inspeção, os técnicos europeus determinarão quais fazendas serão credenciadas para retomar as exportações.
Alternativas
Devido à suspensão das importações européias, os produtores brasileiros estão buscando alternativas para reduzir as perdas. Os produtores querem investir no mercado interno e buscar novos mercados no exterior.
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