dothCom Consultoria Digital
Publicado em 21/02/2008 às 13:41
Atualizado em 10/09/2026 às 13:53
O Brasil inteiro ficou consternado, tempos atrás, quando uma mulher com todo um histórico de vida positivo, tirou a própria vida, num pseudo ritual que, imitando o clássico Romeo e Julieta, envolveria também o seu "parceiro". Naquelas alturas o cidadão já tinha lhe tirado parte do patrimônio, incluindo um apartamento. Ela estava apaixonada pelo homem que conheceu na internet, a partir de uma sala de bate papo. Ele se dizia apaixonado por ela. Na verdade estava se aproveitando da sua fragilidade e aplicando mais um golpe, como foi apurado pela Policia. Por pura carência ela aceitou sua sugestão, de colocarem fim às suas vidas, dando ao mundo uma prova extrema de amor. "Por amor" ela bebeu o líquido sugerido no ritual (contendo veneno). E o seu falso príncipe continuou vivo.
As salas de bate papo se constituem hoje num dos veículos preferidos de interação entre as pessoas, principalmente pela possibilidade de não identificação. Estatísticas indicam que os que mais procuram esse meio de relação são bissexuais curiosos, heterossexuais curiosos, casais e homossexuais. Há também os que se valem do anonimato das salas de bate papo para projetar o que não são, nas áreas de atributos físicos, habilidades intelectuais, profissão e até sexo, já que relatos de pessoas enganadas na internet indicam que muitos homens se passam por mulheres em chats, talvez motivados por desvios comportamentais que só Freud explicaria.
Mas, de tudo o que tem suscitado discussão sobre o assunto nos últimos tempos, o que mais causa preocupação é o uso das salas de bate papo para abusos sexuais, especialmente de adolescentes. O estudo publicado nesta semana pela revista American Psychologist, relatando o aumento de abusos de crianças e adolescentes que conheceram seus agressores na web, reforça o alerta que muitos tem dado, especialmente aos pais que não acompanham de perto o dia a dia de seus filhos. "A constatação de que a maioria dos criminosos que atuam nas salas de bate-papo se identifica como adultos e acabam seduzindo crianças e adolescentes para encontros sem fazer uso da força" me deixou apavorada, diz uma anastaciana que leu a matéria publicada na mídia.
"Os pais precisam estar mais atentos", observa Rosenir Monteiro Melo, pedagoga "desempregada" residente em Aquidauana e que trabalha com crianças há mais de 15 anos. A gravidade do problema pode ser mensurada em alguns sites e comunidades, no orkut, que registram histórias de pessoas que foram enganadas a partir da web. Um exemplo é a comunidade do orkut "já fui enganada na internet". Com 110 participantes, a comunidade reúne histórias de pessoas que acreditaram em um romance virtual, mas decepcionaram-se quando houve um encontro real. O mais sério são as denúncias que se tornam cada vez mais comuns de pessoas que são roubadas, estupradas e até mortas, a partir do momento em que saem do anonimato, nas relações virtuais, e permitem um processo de aproximação. "Primeiro é a sala de bate papo, depois vem o msn, o orkut, telefonemas e, finalmente, encontros reais", observa um estudioso do assunto.
A partir dos relatos de pessoas enganadas e das notícias de situações fatídicas como da jovem que foi encontrar-se com um "namorado virtual" e acabou sendo estuprada e assassinada, outro dado constatado é que as mulheres são as maiores vítimas das chamadas mentiras virtuais. Na opinião da psicóloga sexual Ana Claudia Bortolozzi Maria, há uma tendência na cultura ocidental de ser mais difícil para uma mulher achar um parceiro do que para um homem. "Existe a idéia de que se a mulher não tiver um namorado ela vai ser infeliz. Como hoje as mulheres entraram no mercado de trabalho e demoram mais para se casar, a internet acaba se tornando um meio fácil delas se relacionarem". No caso das crianças e adolescentes os estudiosos lembram que a maior incidência de vítimas está entre os que têm os pais ausentes do seu cotidiano e principalmente os que são vítima de violência dentro de casa. Ao entrar num chat, quase sempre nos cybers, onde não poderão ser vistos pelos pais, tornam-se presas fáceis de gente da pior espécie, que tem na internet uma arma para conseguir seus intentos. A web está cheia de lobos vestidos de cordeiros. É preciso tomar cuidado!
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