dothCom Consultoria Digital
Publicado em 18/03/2008 às 15:51
Atualizado em 10/09/2026 às 13:53
Um tom de alerta para a real situação do setor agrícola sul-mato-grossense permeou as discussões de um encontro que reuniu representantes do governo, deputados, lideranças do segmento produtivo e produtores rurais na sede da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), na noite desta segunda-feira (17/03).
O primeiro tema abordado foi a disparidade das informações que estão sendo divulgadas pela mídia a respeito da "super" safra de soja esperada para 2007/2008 e a realidade de quebra desta safra que vem se confirmando à medida que a colheita do grão avança em todo o estado.
"A expecttiva de que este seria o ano de redenção para o produtor rural vem se frustrando, frente as perdas das lavouras de soja que em alguns municípiosem São Gabriel do Oeste. O que se tem agora é um receio de que essa situação acabe impactando seriamente a economia do estado como um todo", alertou o presidente da Famasul, Ademar Silva Júnior. Para ele é necessário que as lideranças políticas estaduais e federais se organizem e tracem estratégias de apoio ao setor, de modo a minimizar a gravidade dos problemas que os produtores rurais devem enfrentar já de imediato e em um futuro próximo. "Não podemos esperar entornar o caldo para depois buscar o remédio, como aconteceu com a aftosa", avaliou Ademar, que acrescentou: "é preciso que estejamos todos afinados - setor produtivo, lideranças políticas e governo do estado - na busca pr soluções para os problemas que podem significar a inviabilidade da agricultura no estado".
Causas
O vice-presidente da Famasul, Eduardo Corrêa Riedel explicou as causas para a queda de produtividade das lavouras de soja que vem se verificando em quase todo o estado. "Embora existam causas que são comuns a diversos municípios, como por exemplo, o atraso na colheita ocasionada pelo excesso de chuvas, existem outras específicas e diferentes para cada região, como a ferrugem asiática, antracnose", ressaltou Riedel. Ele lembrou o que representa para o setor uma queda de produtividade daquela que estava sendo esperada como a "safra para equilibrar a atividade que vem sofrendo há pelo menos três anos, com o endividamento do setor", Situação de emergência
O decreto de situação de emergência por parte dos prefeitos dos municípios onde a quebra e safra foi mais grave - como é o caso de São Gabriel do Oeste onde as lavouras, afetadas pela ferrugem asiática tiveram redução de até 50% nos índices de produtividade - foi apoiado pelos presidentes de sindicatos rurais dos municípios de Sidrolândia, Dourados, Rio Brilhante, Douradina, Maracaju, e logicamente, São Gabriel do Oeste, presentes à reunião.
em São Gabriel, que já colheu 70% de sua área plantada", declarou o prefeito do município, Adão Rolim, lembrando que a frustração da safra "faz com que a economia do estado deixe de movimentar cerca de R$1 milhão".
Segundo o presidente da Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja), AlmirDalpasqual, "além de discutir o que a quebra de safra representa em termos de diminuição de circulação de recursos precisamos nos preocupar também com as dificuldades que os produtores enfrentarão para plantar a próxima safra." É preciso pensar em como minimizar os efeitos negativos dessa quebra e viabilizar investimentos, recursos, para o produtor. Este será na verdade um ano de alerta", lembrou Dalpasquale.Lideranças políticas
Estiveram presentes na reunião o deputado federal Waldir Neves, integrante da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, em Brasília; os deputados estaduais, Reinaldo Azambuja, representando a Frente Parlamentar pelo Agronegócio na Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul; Márcio Fernandes, presidente da Comissão de Agricultura e ecuária da AL, e ainda, Júnior Mocchi, Zé Teixeira, Akira Otsubo e professor Rinaldo.Todos foram unânimes em reforçar a intenção de apoiar o setor nas entidades que representam.
O deputado Waldir Neves destacou o efeito negativo que tem, perante a sociedade brasileira como um todo, a divulgação pela mídia do momento de "euforia econômica vivido pelo setor"; segundo ele, muito distante da realidade. A secretária de Produção e turismo de Mato Grosso do Sul, Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias lembrou a importância de se realizar um diagnóstico da situação do endividamento agrícola no estado de Mato Grosso do Sul para que o setor possa ter subsídos ao tentar sensibilizar o governo do estado para que preste o apoio necessário aos produtores.
Encaminhamentos
Ao final da reunião o deputado Júnior Mochi propôs a elaboração de um documento contendo os encaminhamentos propostos pelo grupoO documeto foi assinado pelos presidentes da Famasul e da Aprosoja, respectivamente, Ademar Silva Júnior e Almir Dalpasquale, e pelos deputados estaduais, Reinaldo Azambuja e Márcio Fernandes.
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