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dothCom Consultoria Digital
Publicado em 24/03/2008 às 08:29
Atualizado em 10/09/2026 às 13:53
Aos 87 anos, morreu na tarde desta sexta-feira, 21, em Corumbá, o servidor federal aposentado Carlos Ribeiro de Moraes. Pai do jornalista Edson Moraes, do gerente de Promoção da Igualdade Racial da Prefeitura de Corumbá, Edmir Moraes, e de Eder Carlos, deixou viúva a dona-de-casa Íris Figueiredo de Moraes.
Carlos de Moraes é um dos nomes que marcaram o cenário social e cultural do Estado, como intérprete de óperas e canções da chamada "velha guarda", além de ter sido um dos poucos operários que fizeram parte de todo o processo de construção da Estrada de Ferro Brasil-Bolívia.
Nas décadas de 40-50, encantou diversos públicos com sua voz vigorosa de barítono e foi chamado de "nosso Rigoleto" pelo escritor Renato Báez. Foi também nesse período que, aproveitando suas férias na antiga Comissão Mista Brasil-Bolívia, viajou para o Rio de Janeiro e inscreveu-se no mais famoso programa de calouros da época, o "Papel Carbono", comandado por Renato Murce na Rádio nacional, que tinha entre seus contratados nomes como Nélson Gonçalves e Ângela Maria, entre outros astros.
Carlos de Moraes passou por todas as fases do concurso, impressionou os calouros cantando "Granada", de Agustín Lara, e era considerado franco favorito para vencer. Mas ás vésperas da finalíssima o período de férias acabou e, temendo perder o emprego garantido em sua terra natal, voltou a Corumbá, dizendo que não agüentava mais de saudade do pacu frito.
Aposentou-se como Técnico do Tesouro Nacional. Não tin há nem curso primário, mas era autodidata: fala com fluência espanhol e inglês, dominava conhecimentos de tributação e comércio exterior, sofria pelos clubes de coração (Vasco e Corinthians) e produzia neologismos e bordões que o identificavam como um dos símbolos mais populares do universo social da região.
Nos últimos 10 anos sofreu violentos problemas de saúde que, no entanto, não eliminaram sua espirituosidade, o bom-humor e a alegria de viver. Ninguém se lembra de tê-lo visto ao menos uma vez perder a paciência ou maltratar alguém. O mundo ficou mais pobre no patrimônio físico dos homens, mas os que ficam e conheceram Carlos de Moraes ganharam para sempre uma companhia exemplar, generosa e absolutamente de bem com a dignidade.
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