dothCom Consultoria Digital
Publicado em 25/03/2008 às 10:46
Atualizado em 10/09/2026 às 13:53
Dois meses após atingir níveis mínimos de segurança, os reservatórios das hidrelétricas das Regiões Sudeste e Centro-Oeste começam a desperdiçar água por excesso de chuvas. Segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), usinas como Marimbondo, no Rio Grande, e Corumbá, na Bacia do Paranaíba, abriram as comportas nos últimos dias por falta de capacidade para armazenar toda a água que desce os rios da Região Sudeste.
Segundo o Informativo Preliminar Diário da Operação (IPDO) do ONS, o nível dos reservatórios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste atingiu 76,7% no domingo. São mais de 20 pontos porcentuais acima do mínimo do ano, no fim de janeiro, que levou o governo a lançar mão de um plano de emergência, acionando o maior número de térmicas possível para evitar riscos de racionamento.
Os dados do fim de semana apontam que importantes hidrelétricas do Sudeste/Centro-Oeste aproximam-se dos níveis máximos de água. O nível do reservatório da Usina de Corumbá IV, por exemplo, estava em 100% anteontem. As de Caconde, Furnas, Marimbondo, Corumbá I e Nova Ponte estão acima dos 90%. Boa parte delas já está com as comportas abertas para evitar alagamentos.
Marimbondo deixou passar mil metros cúbicos de água por segundo no domingo. São Simão, no Rio Paranaíba, verteu 879 metros cúbicos por segundo. No rio Pardo, as três usinas da AES Tietê (Caconde, Euclides da Cunha e Armando Salles de Oliveira) também estão com as comportas abertas.
A melhora no quadro do setor elétrico é fruto da enorme quantidade de chuvas nas Regiões Sudeste e Centro Oeste desde meados de fevereiro. O ONS calcula que apenas este mês o volume de chuvas é equivalente a 120% da média observada nos últimos 76 anos. Em janeiro, o índice era de 69%.
O volume de água liberada pelas usinas só não é maior porque o Sudeste vem exportando energia para o Sul, estratégia adotada pelo ONS para permitir a recuperação dos reservatórios da região. No domingo, as exportações foram de 3,6 mil megawatts (MW) médios. No Sul, os reservatórios estão em 43,8% da capacidade.
O grande volume de chuvas no Sudeste já vem se refletindo no preço da energia no mercado atacadista, que caiu 59,3% na semana passada, para R$ 71,08 por megawatt/hora (MWh) no subsistema Sudeste/Centro-Oeste. Em janeiro, o preço médio ficou em R$ 502,45 por MWh, segundo a Câmara Comercializadora de Energia Elétrica (CCEE).
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