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Menina torturada em Goiás pede exame de DNA do pai

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L.R.S., a menina de 12 anos vítima de tortura, maus-tratos e cárcere privado pela empresária Sílvia Calabresi Lima, 42 anos, pediu hoje ao juiz da Vara da Infância e Juventude de Goiânia, Maurício Porfírio Rosa, que fosse feito exame de DNA para saber se Lourenço Rodrigues Ferreira, 33 anos, é realmente seu pai biológico. A dona de casa Joana D'Arc da Silva, 40 anos, mãe biológica de L., disse à filha no último sábado que Lourenço não era seu pai e deu o nome de outro homem. O juiz Maurício Porfírio determinou que o exame fosse feito, mas ainda não há data marcada.


Joana e Lourenço - que não vivem juntos - brigam pela guarda da filha, depois que a polícia descobriu que ela era vítima de tortura na casa da empresária onde vivia nos últimos dois anos. L. indicou que prefere morar com o pai. Nas conversas com o juiz, ou no Centro de Valorização da Mulher (Cevam), pouco cita o nome da mãe.


Segundo Maria Cecília Machado, diretora do Cevam - abrigo onde a menina se encontra desde que foi libertada do apartamento de Sílvia -, isso se deve ao fato de Lourenço fazer o tipo de pai que cede tudo à filha. "A mãe já é mais nervosa, mais brava". O juiz Maurício Porfírio deve decidir nos próximos dias se entrega a criança para um dos pais ou deixa no abrigo.


Maria Cecília afirmou que não é a primeira vez que L. ouve dizer que Lourenço não é seu pai. "Mas ninguém sabia disso, ela nunca nos contou. Depois que a mãe disse isso, a menina nos contou que o próprio pai já havia dito isso quando moravam todos juntos", disse.


A diretora do Cevam informou que a menina está muito tranqüila com relação a esta notícia e se diz surpresa com o comportamento da menina. "Ela sempre demonstra estar bem calma com relação a tudo que passou. A L. que pediu o exame ao juiz, para acabar com todas essas dúvidas logo e não ficar assim o resto da vida".


Justiça


O julgamento de Silvia Calabresi Lima começa no próximo dia 10, a partir das 13h30. O juiz da 7ª Vara Criminal de Goiânia, José Carlos Duarte, marcou para este dia o depoimento da empresária e de outras quatro pessoas denunciadas na semana passada pelo Ministério Público. Também responde por tortura, maus-tratos e cárcere privado a empregada de Sílvia, Janice Maria Novaes, 23 anos.


O marido da empresária, o engenheiro civil Marco Antônio, 42 anos, e o filho, Thiago, 21 anos, responderão por omissão. A mãe de Lucélia será julgada por entrega ilegal da criança. O juiz acredita que o julgamento deva durar entre 60 e 100 dias.


O advogado de Sílvia, Darlan Alves Ferreira, disse no domingo que abandonou o caso. Ele alegou que a família não tem como arcar com as despesas do processo. Na semana passada, ele já havia deixado de defender os parentes da empresária que respondem por omissão. Sílvia e Janice podem ser condenadas a até 21 anos de prisão; os demais, a 4 anos de cadeia.


A reportagem procurou o juiz da Vara da Infância e Juventude e os pais de L., mas eles não foram encontrados.

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