X

Geral

Empresas brasileiras transferem produção para China para crescer

Compartilhe:

A-

A+

A importação de produtos chineses cresceu muito nos últimos anos e já causa déficit na balança comercial. Em 2007, segundo a Confederação Nacional das Indústrias (CNI), mais de US$ 12 bilhões de produtos chineses entraram no País. A principal estratégia da indústria brasileira para enfrentar a invasão chinesa é a redução de custos e preços. A saída, em alguns casos, tem sido terceirizar a produção para o país asiático.


A Trellis , empresa brasileira especializada em tecnologia de ponta para comunicação de dados e voz, instalada no país há 14 anos, acaba de transferir 90% da sua produção para a China. O objetivo da empresa é baixar custos de produção e aumentar a competitividade dos seus produtos. "A decisão não nos agrada, mas devido aos altos custos estávamos perdendo espaço para a concorrência", explica Cássio Spina, diretor executivo.


Há cerca de seis meses a empresa passou a terceirizar sua produção de placas para a China. Como a iniciativa deu certo resolveu transferir praticamente toda a produção que será acompanhada de perto por um brasileiro. "O preço final do produto deve ficar até 25% mais barato. O valor é significativo e nos permite projetar crescimento de vendas entre 30% e 35%, ainda esse ano", avalia o executivo.


De acordo com Spina, para fazer frente aos concorrentes da empresa, em sua maioria estrangeiros, a Trellis já vinha cortando custos operacionais e margens. Além do câmbio desfavorável, o chamado custo Brasil que envolve, entre outras coisas, uma pesada carga tributária e juros exorbitantes, foram os fatores que levaram a empresa a tomar essa decisão. "Se essa equação for resolvida teremos o maior prazer em voltar a produzir no nosso país, e é exatamente por isso que estamos deixando 10% da fábrica aqui", informa Spina.


O caso da Trellis não é o único. De acordo com a Confederação Nacional das Indústrias (CNI) , já se observa disposição dos empresários para transferir parte da produção para a China, onde há vantagens competitivas, como por exemplo, o baixo custo da mão de obra. A última pesquisa realizada pela Confederação aponta que 7% das grandes companhias produzem com fábricas próprias na China e 3% pretendem instalar unidades naquele país. Além disso, 5% das grandes empresas brasileiras já terceirizaram parcela da produção, que passou a acontecer em terreno chinês, e 4% pretendem terceirizar parte da produção com empresas chinesas futuramente.


De acordo com o estudo, 54% das indústrias analisadas disputam mercado com os concorrentes chineses atualmente e 6% dos grupos privados tiveram de parar de exportar por conta da ofensiva asiática. A perda de terreno no comércio internacional afeta principalmente as pequenas e médias companhias, conclui o relatório.


A explicação para esse êxodo industrial é simples. Na China os salários são muito baixos, quase não há encargos trabalhistas e o governo ainda oferece bilhões de dólares para ajudar as empresas exportadoras. Com isso, o produto chega muito barato ao Brasil. O diretor da Câmara de Comércio Brasil-China (CCBC), Kevin Tang, diz que para ser um mercado competitivo mundialmente, o Brasil precisa reduzir custos e entraves burocráticos. "Infelizmente, sem enxergar uma perspectiva de mudança no curto prazo, o produtor nacional acaba não tendo escolha", diz.


A CCBC presta serviço de consultorias a empresários que pretendem migrar sua produção para a China e, de acordo com Tang, no ano de 2007 o volume de consultas dobrou. "Nem sempre a mudança se concretiza. Em geral, os empresários vêm buscar informações e parceiros e começam terceirizando a produção. A transferência de toda a produção é uma segunda fase", explica.


A maior fabricante de calçados femininos no Brasil, a Azaléia , que emprega 17 mil funcionários no País, não agüentou a concorrência com os baratos calçados chineses e desde 2006 terceiriza parte da produção com um parceiro chinês. Na época, a empresa informou que 30 modelos iriam ser produzidos na China, pois desde que o dólar começou a cair ficou difícil manter a posição da empresa no mercado que corria o risco de perder seu melhor comprador internacional, os Estados Unidos. Hoje, a empresa prefere não comentar o assunto, apenas confirma que mantém parte da produção terceirizada na China.


A fabricante de brinquedos Estrela que também enfrenta dificuldades para manter preços competitivos, ante os produtos chineses que chegam ao país, passou a importar chips eletrônicos, componentes e brinquedos acabados. Em 2007 a companhia importou cerca de 40% da produção, sendo mais de 90% das compras provenientes do gigante asiático. Este ano, a proporção entre fabricação e importação deve ficar em 50%. "Considerada uma ameaça para muitas indústrias de brinquedos, a China passou de rival a aliada", avalia Aires Leal Fernandes, diretor de Marketing da Estrela.


No setor têxtil, fortemente afetado pela concorrência chinesa, os rumores de terceirização da mão de obra são muito fortes. Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) , Aguinaldo Diniz Filho, não existem números sobre o assunto, mas não há como negar que muitas empresas estão nesse caminho. "O setor gera 14,4% dos empregos na indústria de transformação, mas precisamos de condições isonômicas para competir e ficar no país", adverte Diniz. O executivo lembra uma pesquisa da International Textiles Manufacturing Federation (ITMF) que compara os preços dos produtos chineses com os preços dos brasileiros. "Sem os juros e os impostos pagos aqui, os preços seriam muito parecidos".


Pela primeira vez nessa década, o saldo da balança comercial entre o Brasil e a China pende para o lado chinês. O Brasil apresentava superávits com os chineses desde 2001, mas no ano passado a China exportou US$ 12,618 bilhões para cá, ante US$ 10,749 bilhões em produtos e serviços comprados dos brasileiros. Os números são do mais recente estudo da CNI, divulgado semana passada. Nos últimos sete anos a participação das importações chinesas no Brasil quintuplicou. Só em 2007, o aumento foi de 57,91% em relação a 2006. Apesar dessa virada, as exportações brasileiras para a China vivem um bom momento: vêm crescendo a um ritmo mais acelerado do que para o restante do mundo. Entre 2006 e 2007, o crescimento das vendas brasileiras para lá foi de 27,93%, superior aos 22,93% verificados de 2005 para 2006. Produtos básicos como o minério de ferro, a soja, óleos, petróleo, couros e peles estão entre os preferidos dos chineses. Por aqui, a preferência é pelos manufaturados. Em 2007, responderam por 95% de tudo que o Brasil importa da China.

VEJA TAMBÉM

ÚLTIMAS

Indígena Terena com raízes em Aquidauana é empossado diplomata

INÉDITO

Indígena Terena com raízes em Aquidauana é empossado diplomata

Idjahure Kadiwel está entre os primeiros indígenas a ingressar na carreira diplomática; com Essi Rafael, município passa a ter dois representantes no Itamaraty

Ação policial recupera implemento agrícola furtado de fazenda em Aquidauana

ZONA RURAL

Ação policial recupera implemento agrícola furtado de fazenda em Aquidauana

Equipamento foi levado da Fazenda Taboco na noite de domingo; caminhão suspeito de transportá-lo também foi localizado

Voltar ao topo

Logo O Pantaneiro Rodapé

Rua XV de Agosto, 339 - Bairro Alto - Aquidauana/MS

©2026 O Pantaneiro. Todos os Direitos Reservados.

Layout

Software

2
Entre em nosso grupo