Geral
dothCom Consultoria Digital
Publicado em 20/05/2008 às 08:16
Atualizado em 10/09/2026 às 13:54
A maior parte das crianças e adolescentes, vítimas de exploração sexual em Campo Grande, é de família pobre. Pesquisa releva que 80,4% das crianças e adolescentes usadas sexualmente para fins comerciais são de famílias com renda de até um salário mínimo. O dado consta do relatório final do PAIR (Programa de Ações Integradas e Referenciais de Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-Juvenil no Território Brasileiro) divulgado ontem.
O estudo foi realizado de agosto de 2007 a abril deste ano e se fundamenta nas informações fornecidas por órgãos diversos da rede de proteção à criança e ao adolescente de Campo Grande. No que se refere à exploração sexual, a maior parte das vítimas é pobre. O relatório aponta que, no Crea (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), foram registrados, durante o período da pesquisa, 43 casos dessa natureza. Desses, 41 têm informações sobre a renda familiar: 33 vítimas são de famílias com renda de até um salário mínimo; seis, com renda familiar de dois salários e duas, com rendimento de três mínimos. Não houve registro de casos envolvendo vítimas de famílias com renda de quatro salários ou mais.
Os dados mostram que a exploração sexual se relaciona com a própria exploração da pobreza. "O comércio sexual de crianças e adolescentes é uma forma de complementar a renda familiar", afirma a professora universitária Vivian da Veiga Silva, pesquisadora participante da pesquisa. Em geral, há conivência dos pais.
A participação da família não se limita à conivência. Os agenciadores não são apenas pessoas de fora do lar, mas também do interior dele. "Na maior parte dos casos, as agenciadoras são as mães", diz a pesquisadora.
Vítimas com até 6 anos
Outro dado mostra que os casos não se restringem a adolescentes, mas se estendem a crianças com menos de sete anos. O Conselho Tutelar Sul, entidade que também alimenta os dados do relatório, registrou 27 casos de exploração sexual. Destes, quatro (14%) envolvem vítimas com até seis anos; nove (33%) dizem respeito a crianças entre sete e 12 anos e 14 (51,8%), adolescentes de 13 a 17.
"Esse foi um dado muito preocupante", avalia a pesquisadora com relação ao número de vítimas com até seis anos. Também nesses casos, a agenciadora principal é a mãe da criança.
Meninas
Além da questão econômica, a exploração sexual implica a questão de gêneros: quase a totalidade das vítimas é formada por meninas. Dos 27 casos registrados pelo Conselho Tutelar Sul, 22 (81%) envolvem vítimas do sexo feminino. Dos 43 registros do Creas, 39 (90%) também são garotas. O único caso registrado pelo Conselho Tutelar Sul se refere, da mesma forma, à menina.
Maior parte dessas garotas fica em suas residências e são levadas aos clientes por agenciadores. Mas também estão nas ruas da cidade e em casas noturnas. "As adolescentes exploradas sexualmente nas ruas se produzem para parecerem adultas", conta o psicólogo José Ângelo Motti, coordenador da pesquisa.
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