dothCom Consultoria Digital
Publicado em 26/05/2008 às 10:54
Atualizado em 10/09/2026 às 13:54
"Flanelinhas" ganham a vida cuidando de carros em vias públicas. Wellinton Pereira Neves, 22 anos, sabe muito bem o que é ter que sustentar sua família apenas com o dinheiro adquirido depois de um dia inteiro de trabalho cuidando de carros em um dos canteiros da Avenida Afonso Pena.
A desigualdade social criada hoje no Brasil é fruto de um capitalismo selvagem, em que alguns têm, outros não; e empregos informais como esses são as marcantes conseqüências da falta de oportunidades.
Para Wellinton, a falta de emprego o levou a essa atividade. Sem concluir o 1º grau de escolaridade suas chances foram poucas. Sem opções, acabou encontrando nas ruas da cidade uma chance de contribuir para o sustento da família. Pai de três crianças e com sua mulher grávida, é cuidando de carros e recebendo entre R$60,00 e R$70,00 por dia que o rapaz ganha a vida.
Mercado concorrido
São vários os meninos que ficam a espreita de algum motorista para fazerem a famosa pergunta: posso cuidar o seu carro? E ao contrário do que muitos pensam, eles não se organizam ou dividem-se para cuidar dos carros. "Cada um alterna um trecho com o outro, mas sempre no mesmo local", afirma Wellinton.
De vez em quando, quando pode, vai a lugares, como shows, cuidar carros, mas ressalta que nem sempre é possível, visto que mora em um local perigoso e tem mulher e filhos pequenos. Em geral o trabalho é de segunda a sexta-feira até o final da tarde. "Nos finais de semana fico com a família", diz. Nestes dias seu lugar é tomado por meninos de rua que querem tirar uma graninha.
Problemas
Mas a concorrência não é o único empecilho para quem tira seu sustento das ruas. Além de enfrentar sol, chuva, cansaço e motoristas mal-educados, eles têm de ficar atentos com a polícia. Ele conta que a Polícia Militar impede o trabalho deles. "Eles levam todos para a delegacia e deixam a gente preso até umas 18 horas, falam que além das pessoas terem que pagar o flex park, tem que pagar a gente", entrega. O flanelinha argumenta que que "não obriga ninguém a pagar". Ainda assim a atividade não é bem vista.
Inclusive o jovem diz não ter muitas expectativa de melhora e que vai ficar no ponto até quando o "emprego" durar. "É um pouco difícil, em parte sou feliz, mas tenho muitas dificuldades e barreiras pra enfrentar. Tenho que pagar contas, às vezes, algumas altas, mas o que mais dói é quando o filho pede e não temos pra dar", diz.
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