dothCom Consultoria Digital
Publicado em 27/05/2008 às 08:48
Atualizado em 10/09/2026 às 13:54
A sede da administração regional da Funai (Fundação Nacional do Índio) de Dourados e o núcleo do órgão em Amambai permaneceram fechadas durante todo o dia de ontem, em virtude de uma suposta ameaça de invasão e saque feita por lideranças indígenas da região.
Eles cobram a saída da gerente regional da Funai, Margarida Nicoletti. Conforme a assessoria da Funai, todos os servidores do órgão foram liberados e o expediente foi suspenso até segunda ordem. A direção do órgão teria sido avisada da invasão por lideranças indígenas contrárias ao movimento. A medida, segundo o assessor, seria para evitar o saque de cestas básicas, já que pelo menos três mil unidades que serão doadas para famílias carentes estão armazenadas na sede de Dourados.
Ontem, em frente ao prédio foi fixado um cartaz com a frase "Está fechado por motivo administrativo". O órgão não definiu ainda se o expediente será retomado no dia de hoje nas duas sedes.
De acordo com a assessoria de imprensa, a Funai tem conhecimento do movimento para derrubar Margarida Nicoletti do cargo. De acordo com a fundação, o motim está sendo conduzido pelo capitão da aldeia Jaguapiru, em Dourados, Renato Souza, e por Celso Maciel.
Conforme a Funai, no início do ano, Souza e um grupo de índios teria invadido a sede da Funai em Dourados e roubado 10 sacas de feijão, que estavam na varanda do prédio. Segundo informações da Funai, os dois lideres do movimento já respondem a processos na Polícia Federal por crimes dessa natureza.
A direção do órgão investiga o envolvimento de funcionários na manipulação de índios para tentar boicotar a Aty Guassu (grande reunião), encontro de lideranças indígenas, promovido pela Funai e Funasa (Fundação Nacional de Saúde), que será realizada na primeira semana de junho, em Dourados, para discutir trabalhos de ampliação das reservas indígenas do Estado.
Segundo Renato de Souza, lideranças indígenas de 27 aldeias da região Sul do Estado são favoráveis a substituição de Margarida por um índio. Eles estão indicando um índio que há 15 anos atua na Polícia Militar.
REFÉNS
O grupo de 300 índios terena que mantinha dois funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai) como reféns, na aldeia Moreira, em Miranda, decidiu libertá-los no fim da tarde desta segunda-feira. A decisão foi tomada após a chegada ao local do administrador regional da Funai, Claudionor do Carmo Miranda, que assumiu com comunidade o compromisso de trazer de Brasília (DF) um Grupo de Trabalho da entidade para analisar a reivindicação dos índios, a incorporação a aldeia de uma área de 400 hectares.
O chefe do posto da Funai na aldeia, Jair do Prado, e o chefe do serviço de Patrimônio Indígena e Meio Ambiente e administrador substituto da entidade na região de Campo Grande, Antônio Ricardo Araújo, foram tomados como reféns dos índios às 7 horas de hoje e permaneceram impedidos de sair do local até por volta das 17 horas, quando começou a reunião do administrador regional da Funai com os indigenas.
Segundo o cacique da aldeia, João Metelo, os índios reivindicam a incorporação da área a aldeia há pelo menos 40 anos. O grande problema, segundo ele, é que área atual, de cerca de 45 hectares, não comporta a população de 1.800 famílias.
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