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Bagaço da cana e casca de arroz fazem cimento ecológico

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O bagaço de cana e a casca do arroz processados, vão incrementar o cimento, usado em construções de alvenaria. Essa é a proposta de estudos que estão sendo desenvolvidos pelo Curso de Engenharia Civil da Anhanguera/Uniderp.

O estudo para melhor aplicação desses resíduos é de significativa importância para Mato Grosso do Sul, pois o estado é o novo pólo de expansão da indústria sucroalcooleira, sendo que este é o oitavo maior produtor de cana-de-açúcar do Brasil, podendo em cinco anos ocupar a segunda posição, atrás apenas de São Paulo.

O aumento da produção nas indústrias de açúcar e álcool acarreta consequentemente, maior sobra dos resíduos, o que justifica a importância das pesquisas para utilização dessas sobras. A cinza do bagaço de cana é gerada a partir da queima de resíduos agroindustriais nas usinas de açúcar e álcool, com a intenção de gerar energia.

Segundo o engenheiro, doutor Guilherme Chagas Cordeiro, do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (COPPE/UFRJ), as pesquisas realizadas apontam que esse material residual pode ser empregado a partir de suas características físico-químicas, na substituição parcial do cimento portland (comum) em concretos. A expectativa é que esse material, que é tecnicamente adequado, possa ser utilizado num futuro próximo em áreas de grande produção de álcool e açúcar no Brasil. A atitude diminuiria a emissão de gás carbônico por parte das indústrias de cimento e substituiria por um produto de baixa geração.

Números

O Brasil produz cerca de 430 milhões de toneladas de cana. Mato Grosso do Sul, pouco menos de 11 milhões de toneladas, o que representa uma geração de 2,6 milhões de toneladas de bagaço, que, ao ser queimado em caldeira pode gerar cerca de 60 mil toneladas de cinza/ano.

"Para se ter uma idéia, considerando toda produção de cana-de-açúcar da região Centro Oeste, se 8% do cimento produzido fosse substituído pela cinza da queima do bagaço da cana, haveria uma redução de cerca de 250 mil toneladas de gás carbônico por ano. Uma quantidade significativa para o meio ambiente", revela Cordeiro.

Por meio dos testes realizados, os pesquisadores avaliam que o concreto produzido com base na mistura (cimento/cinzas), tem o mesmo nível de resistência que o concreto produzido apenas com cimento portland, observando ainda a maior durabilidade do produto.

O aproveitamento da cana-de-açúcar em todos os estágios da produção da indústria sucroalcooleira envolverá a utilização do caldo para fazer álcool e açúcar, o bagaço para gerar energia por meio de sua queima em caldeira, sem necessidade de usar fontes de energia não renovável e, conseqüentemente, agregando valor econômico as cinzas residuais resultantes da queima, gerando maior lucratividade para indústria, ilustrando a geração de empregos, e o desenvolvimento regional.

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