O mercado de trabalho, cada vez mais escasso e sem estabilidade faz as pessoas desejarem, desesperadamente, um trabalho mais estável e com ganhos melhores, aumentando a concorrência dos concursos públicos. Apoiados pelo "Sistema Capitalista" de produção, os empregadores fazem, cada vez mais, um rodízio de funcionários, demitindo os mais antigos e contratando novos, que, preocupados com os altos índices de desemprego, aceitam trabalhar por salários bem menores e com uma jornada de trabalho maior.
Segundo dados da Funsat (Fundação Social do Trabalho da Prefeitura Municipal de Campo Grande) no mês de Abril de 2008, 5.927 pessoas procuraram por empregos na fundação, 1971 pessoas se inscreveram pela primeira vez e 3.956 não tinham usado a Funsat para procurar emprego. O total de vagas em Abril foi de 815 (13,75% do total que procurou emprego), destas, apenas 2.388 candidatos foram encaminhados e 39% conseguiram preencher as vagas. A concorrência é maior, porque, se o número de vagas no mercado não é suficiente para atender os desempregados, a instabilidade faz os já empregados, também, entrarem na disputa pelas vagas nos concursos públicos. Eloiza Rodrigues Olmedo trabalha a dois anos numa famosa loja de varejo e há seis anos no comércio. Anseia passar em concurso público para conseguir estabilidade no trabalho "com férias no tempo certo, uma menor jornada de trabalho, ganhar mais e "emendar os feriados". Eder Pereira Ferreira é funcionário público há dois anos, prestou concurso público, por estar desempregado, depois de ter cumprido serviço militar. Atualmente, está realizando as seletivas para ingressar na Polícia Militar na busca por "ganhar mais e "seguir a carreira militar, que não consegui no exército".
As vagas oferecidas, infelizmente, não conseguem suprir o total de desempregados, pois as pessoas que estudam e conseguem se tornar funcionários do Governo, deixam suas vagas para os que não tiveram a mesma sorte e, estes, por sua vez, são obrigados a aceitarem as condições que lhes foram "designadas".