dothCom Consultoria Digital
Publicado em 30/08/2008 às 10:20
Atualizado em 10/09/2026 às 13:54
A Sanesul abriu licitação para contratar uma empresa que vai desenvolver um software de gerenciamento, amplo e complexo, ao custo máximo de R$ 3.897.600,00, segundo informou a assessoria. As propostas de técnica e preço deveriam ser entregues hoje, mas apenas uma empresa se apresentou: a EOS Organizações e Sistemas Ltda, sediada na rua Pedro Celestino, em Campo Grande.
No dia 2 de setembro os diretores e técnicos da Sanesul irão até a empresa assistir a uma apresentação sobre como será o sistema que pretendem desenvolver. Se tudo estiver nos conformes, abre-se o envelope de preço, que com certeza será ou igual ou menor que o teto estabelecido, sugerindo que a empresa deve ser contratada.
Até aí tudo bem. O problema é que um software com essa finalidade foi oferecido, de graça, para a Sanesul. O sistema GSAN (Gestão Integrada em Saneamento) foi desenvolvido pela Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, estudando as necessidades de três companhias: a Compesa, de Pernambuco; a Caer, de Roraima e a Caern, do Rio Grande do Norte.
O ministério gastou cerca de R$ 6 milhões no sistema completo, disse Ernani Ciríaco de Miranda, coordenador do Programa de Modernização do Setor de Saneamento. Nesse total está incluído - além do desenvolvimento do sistema - o treinamento de pessoal e os servidores das três companhias que serviram de cobaias.
"É um sistema bom, moderno, totalmente sofisticado e livre", explica Ernani. Todas as empresas que quiserem podem instalá-lo, está disponível no portal de software livre da internet. A única despesa que a Sanesul teria é para instalar o sistema, o que deve ser feito por uma empresa especializada, bem como treinamento e alguma adaptação necessária.
Ernani Miranda calcula em R$ 900 mil o custo total que a Sanesul teria para ter em pleno funcionamento o software, já incluída a assistência técnica por um ano, que é o prazo regular oferecido pelas empresas do setor. Ele diz que diretores da Sanesul foram ao Ministério da Cidades neste ano, sem saber precisar a data, com um projeto pedindo recursos para bancar esse custo (de instalação do software).
Como não há linha de crédito no ministério para essa finalidade, foram orientados a procurar outros meios, e nunca mais retornaram. Agora, ele se admirou de saber que a empresa está licitando o desenvolvimento de um software similar ao GSAN, que sai de graça.
Várias companhias já implantaram ou estão implantando o GSAN, disse Ernani Miranda. As empresas da Bahia, de Campinas (SP), do Maranhão, de Manaus (AM) são algumas que ele lembrou no momento.
O GSAN é desenvolvido em módulos, explicou o coordenador, citando os módulos de leitura de hidrômetros, de faturamento, de controle, de gestão operacional, de notas de serviços, de reclamações de usuários, de cadastro técnico, "e está construído para receber novos módulos, dependendo da necessidade específica da companhia".
Outro lado
O Midiamax tentou ouvir os argumentos da Sanesul. A pessoa escalada para falar pela empresa foi Altair Alvarenga, gerente de Tecnologia e Informação. No fim da tarde ele retornou aos telefonemas, mas ao ser indagado sobre o assunto, disse que não tinha autorização para falar a respeito.
"Esse tipo de entrevista tem que ver, não tenho autonomia para falar sobre isso. Sou o gestor de informática da empresa, gero a demanda, o departamento jurídico que faz a licitação. Não tenho autonomia para falar sobre isso, é o diretor da empresa que tem que falar sobre isso. Você tem que mandar um documento, fazer uma visita pessoal. Tem uma circular interna que proíbe repassar qualquer informação sem autorização expressa da direção", disse Altair.
Como já era tarde quando ele retornou a ligação, não foi possível ouvir o diretor-presidente da Sanesul, José Carlos Barbosa; ele não estava mais na empresa.
A EOS (acesse aqui) tem cinco diretores: Ezequel Aréco Balbuena, Gilson Damus, Henrique Ricardo Muhr, Marcelo Roberval Rangel Dias e Rogê Teissére Delgado, todos identificados como sócios-administradores. A empresa assegura ter vários clientes na área, como a Saerb, de Rio Branco (AC), a Semasa, se Lajes (SC), DEAS, do Acre.
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