dothCom Consultoria Digital
Publicado em 24/09/2008 às 15:12
Atualizado em 10/09/2026 às 13:54
Muito brincalhão e atencioso, padre Egídio, 95 anos recebeu a equipe do site O Pantaneiro, na casa dos Padres de Aquidauana, onde aceitou conceder uma entrevista.
Nascido nos E.U.A., criado na cidade de Nova York, padre Egídio que completará no próximo ano 70 anos de vida sacerdotal, veio de navio para o Brasil, no ano de 1941 e depois de 13 dias de viagem, no dia 25/03/1941 desembarcou no Rio de Janeiro.
Padre Egídio orgulhoso ressalta "Nestes 70 anos de vida sacerdotal nunca passei um só dia de cama, de doença".
Quando perguntamos à decisão de ser padre, ele discorre "Desde criança quis ser padre. Aos 10 anos de idade já freqüentava e ajudava a Igreja todos os dias. Fui coroinha. E também fui encorajado pela minha mãe que era bastante católica".
A lembrança da 1ª missa, a qual ele considera a mais importante, vem seguida de um fechar de olhos buscando na memória com um ar de forte emoção e relata respirando fundo "Minha missa mais importante sem dúvida foi a primeira, a qual realizei em Nova York. Com certeza a 1ª missa abre caminho para as demais que celebraremos para o resto da vida. Nós tivemos toda uma preparação de como ser um bom padre, por isso não há nervosismo na ocasião".
Há 67 anos celebrando missas no Brasil e residindo atualmente no Paraná, o padre que já morou em Aquidauana por 15 anos, ocasião em que foi pároco no período de 1950 a 1956, estreitou um forte laço de amizade com Heliophar, Jandira e Sophia Rondon, grandes personalidades da cidade.
Neste mês de setembro retornou a Aquidauana a convite da aniversariante Sophia Rondon, para celebrar a Missa de 90 anos de idade, assim como celebrou a missa de Bodas de Ouro da amiga.
"Estou aqui a convite de Sophia, uma mulher de um coração extremamente bondoso, generoso. Uma grande mulher!", exclamou padre Egídio.
Sem ter mais idéia de quantas missas já realizou, o padre relata com facilidade os números em Aquidauana "Só em Aquidauana, na região, indo às fazendas a cavalo, realizei 5.000 batizados, nunca fiz menos de 50 casamentos por ano, acredito que tenha feito aqui uns 1.000 casamentos".
Impulsionado pelo padre Reginaldo, padre Egídio, no auge de seus 95 anos, relembra do período da 2ª Guerra "Na época da 2ª guerra, eu estava aqui em Aquidauana e viajava a cavalo durante 28 dias seguidos, porque por uns 04 ou 05 anos estávamos sem carro, porque não tinha gasolina. Naquele tempo a Paróquia era maior abrangia Dois Irmãos do Buriti, Nioaque e Guia Lopes. Eu ia pelas fazendas realizando batizados, casamentos, crismas. Fui a Corguinho, no Taboco, perto de Sidrolândia, em Cipolândia e na Aldeia Buriti".
Em meio a sorrisos, descontrações e brincadeiras, a entrevista voltou-se a momentos atuais e foi encerrada com opiniões e ponto de vista de um experiente e grandioso padre:
ECC e SEGUE-ME: "é uma tentativa para os jovens levar mais a sério o casamento. Casamento é mais que sexo - é devoção é amor".
Política: "Não falo da política do Brasil, sou estrangeiro. E acho que depois de gozar das coisas boas do Brasil não posso virar as costas e falar mal. Como americano, admiro Lula, ele é excelente, do povo".
Jovens de hoje: "Eles são bem prestativos, estão cooperando muito na Igreja, bem ao seu jeito. O jovem é autêntico, é sincero".
Padres: "os padres jovens na Paróquia eu sou a favor. Eles sintonizam melhor com os jovens, compreendendo muito melhor o que eles pensam. É uma ótima idéia padres jovens trabalhando com jovens, porque está dando resultado".
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