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Culto ao diabo e omissão assustam pais de adolescentes

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Eles têm entre 14 e 16 anos. Estão sempre de camiseta de cor preta e calça jeans. Não acreditam em Deus e cultuam o demônio. Freqüentam cemitérios e possuem muitas faltas na escola.


Em fotos no Orkut, estão com a área ao redor dos olhos pintada de preto, unhas na cor escura e simulam "lágrimas de sangue", com a cor vermelha.


O perfil é de garotos entre 14 e 16 anos que eram 'liderados' pelo "maníaco da cruz". O adolescente de 16 anos recebeu este nome após ser apreendido no dia 9 deste mês e confessado a morte de três pessoas desde julho.


Ele matou o pedreiro Catalino Cardena, 33 anos, em 24 de julho. A frentista Letícia Neves, 22 anos, e a estudante Gleice Kelly da Silva, 13 anos. Todos foram deixados em posição de crucificação. Com os braços abertos e pés sobrepostos.


A delegada responsável pelo caso, Maria de Lourdes de Souza Cano, da Deaij (Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e à Juventude) explica que os garotos se conheceram na escola e por não acreditarem em Deus, formaram o grupo que além de se encontrar nos dois cemitérios da cidade estavam constantemente na  casa do "líder".


Maria de Lourdes definiu o "maníaco" como "cruel"e os amigos dele como "um pouquinho menos perigosos". Por isso, e porque os cinco sabiam e não contaram nada a ninguém que o "líder" havia matado as três pessoas, foram também responsabilizados e podem ser apreendidos.


Os pais deles, até então, não imaginavam que a maneira de se vestir e alguns outros comportamentos diferentes dos demais adolescentes, pudessem leva-los a serem "cúmplices"da morte de três pessoas.


A mãe do "maníaco" também considerava o culto ao "maníaco do parque", as roupas pretas, o temperamento explosivo e fechado, "coisa de adolescente".


Ao chegarem na delegacia com os filhos, os pais dos garotos que sabiam dos crimes duvidavam do trabalho policial. No entanto, após acompanharem os depoimentos, saíram convictos de que os filhos realmente tinham total conhecimento da autoria das mortes.


Os pais ficaram surpresos, chocados, quando ouviram dos filhos detalhes sobre as três mortes e o comportamento do grupo deles. Segundo Maria de Lourdes, mães de dois deles chegaram a passar mal.


Já a mãe do autor disse inicialmente que não acreditava que ele sozinho matou essas três pessoas. Depois, após ser ouvida pela polícia, saiu convicta de que o filho agiu sozinho.


Atenção - Depois da descoberta de que um garoto de 16 anos matou essas três pessoas porque ele cultuava o demônio e essas três pessoas acreditavam em Deus, o comportamento de muitas mães na cidade de Rio Brilhante mudou.


De acordo com o Conselho Tutelar, muitas mães têm procurado orientação para saber como agir com os filhos. Elas perguntam sobre quais comportamentos são suspeitos; o que fazer se houver desconfiança de envolvimento em crimes e como repreender sem ferir o Estatuto da Criança e do Adolescente.


Para adolescentes da cidade, o grupo era único e não exercia influencia sobre os demais jovens. Anelize Barbosa, 16 anos, explica que eles não costumavam ficar no meio de outros jovens e que não é comum encontrar alguns deles na cidade.


Segundo ela, a diversão na cidade para adolescentes é freqüentar grupos de dança, igrejas e casa de amigos. Festas maiores não são rotina na cidade. Anelize relata que depois da morte de Letícia, os pais passaram a ficar mais receosos e muitos adolescentes deixaram de andar sozinhos á noite, a pé ou de bicicleta, o que era comum.


A amiga de Anelize, Camila Leon, 16 anos, moradora em São Gabriel do Oeste, foi para Rio Brilhante visitar amigos e conta que tomar tereré à tarde na casa de alguém já está complicado. "A mãe de um amigo meu não deixou." A mãe de Camila quase que não a deixou ir para Rio Brilhante.


A preocupação dos pais é que outros garotos façam o mesmo que o "maníaco". Para a polícia, eles não vão fazer isso, porque diferentemente do autor, estão preocupados com o que vai acontecer com eles e não pensam em matar alguém.

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