dothCom Consultoria Digital
Publicado em 25/10/2008 às 15:43
Atualizado em 10/09/2026 às 13:54
Símbolo de uma época em que o transporte ferroviário movimentava a economia, o Trem do Pantanal voltará aos trilhos, satisfazendo a nostalgia de muitos que viram ou ouviram falar dos "bons tempos" do trem de passageiros. E retorna como elemento de impulso ao turismo, setor que cada vez ganha mais reconhecimento como importância econômica. A nova fase dá final feliz a uma história que começou com a chegada da linha férreia em 1914, durou mais de meio século, e começou a perder espaço na década de 70 - até chegar ao capítulo da despedida, em 1996.
Agora chamado Pantanal Express, o trem será um produto de alta qualidade para o mercado internacional, conforme divulgado para agentes de viagem e operadores de turismo no Evento ABAV 2008 - Feira das Américas, nesta quinta-feira (23).
Durante o lançamento (foto), uma apresentação em vídeo mostrou um pouco da região que será cortada pelo gigante de aço em viagens que deverão durar sete horas e gerar lembranças inesquecíveis para quem estiver a bordo.
Saindo de Campo Grande - Capital arborizada e que ganha ares de cidade moderna - a viagem avança para a "porta de entrada" do Pantanal, Aquidauana, cortando lugares como o distrito de Piraputanga, região de morros, emoldurada por cachoeiras, rios e córregos. Atravessa dois importantes rios da bacia pantaneira, o Aquidauana e o Miranda - até o destino, onde uma das opções diferenciada para o turista será visitar aldeias indígenas e entrar em contato com povos nativos.
Miranda é o lugar de chegada do trem, mas pode não ser o ponto final da aventura, porque o visitante pode fazer da cidade ponto de partida para outros destinos, como Corumbá e a Serra da Bodoquena, onde está o município de Bonito.
Saudade, novidade, felicidade
Se para estrangeiros ou brasileiros que não conhecem Mato Grosso do Sul, a novidade e o caráter exótico da viagem são um grande chamariz, para quem testemunhou a época áurea da ferrovia, ver o trem de passageiros de novo nos trilhos é voltar ao passado.
"Eu me criei no trem. Lembro das despedidas e chegadas dos passageiros, o apito, os vendedores que ficavam gritando na estação 'olha o peixe', 'olha a guavira', olha a rapadura'. Agora, a gente vai receber toda essa história de volta". O depoimento e a emoção indisfarçável são da empresária mirandense Rosaura Dittmar, que há mais de 20 anos desenvolve um projeto de criação de jacarés e há cinco atrelou ao negócio um bem sucedido turismo rural. Com o movimento de visitantes trazidos pelo trem, a expectativa é de resultados ainda melhores a partir de maio de 2009 na propriedade conjugada Cacimba de Pedra - Reino Selvagem.
A hospitalidade natural de Rosaura promete ser irresistível para os visitantes, que, ao entrar na fazenda "vão encontrar uma casa, vão estar entre amigos", ela garante. "Venham, vivenciem conosco a fogueira, a roda de tereré. Venham conhecer o chamamé, o laço, o berrante", ela convidava, em meio a entrevistas no estande sul-mato-grossense no Evento ABAV. Para reforçar o convite, simpatia contagiante, guampa de tereré nas mãos, e bijouterias feitas com pele de jacaré criado na fazenda. Não há como o turista resistir.
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