dothCom Consultoria Digital
Publicado em 13/11/2008 às 19:04
Atualizado em 10/09/2026 às 13:54
O comércio de produtos piratas atinge parcela elevada dos campo-grandenses, mostra pesquisa inédita realizada pelo Nepes (Núcleo de Pesquisas Econômicas e Sociais), em parceria com o curso de Administração da Anhanguera/Uniderp em Campo Grande. Dos 384 entrevistados, 96% admitiram que já compraram algum produto pirata ou falsificado. As compras foram realizadas nos últimos 12 meses por 76% dos entrevistados. Outro dado revela que a maioria dos que compra produtos piratas acredita que esse comércio estimula atividades criminosas. As entrevistas foram feitas no início de outubro.
"Estas são as fortes evidências de um mercado paralelo muito intenso que pode prejudicar a economia da cidade, o comércio local e também os fabricantes de produtos eletrônicos, de vestuário e assessórios, de softwares, de CDs e DVDs, entre outros", ressaltou o pesquisador do Nepes, professor José Francisco dos Reis Neto.
Durante as entrevistas, o consumidor foi indagado sobre a sua percepção do custo social ao comprar o produto pirata ou falsificado. "A idéia era verificar se as pessoas percebem que ao comprar um produto pirata ou falsificado prejudicam a economia de várias formas, tal como na redução de empregos formais, perda do faturamento das lojas e diminuição dos investimentos da inovação dos produtos e serviços. Também, se a compra de produtos piratas alimenta a criminalidade", disse o coordenador do Nepes, professor Celso Correia de Souza.
A pesquisa mostrou, ainda, que os consumidores de produtos piratas sabem dos custos sócio-econômicos desse tipo de comércio. Dos entrevistados, 84% concordam que a compra de produtos falsificados causa danos às empresas e 64% acreditam que prejudica a economia da cidade.
Os entrevistados também concordam que a compra está relacionada ao estímulo das atividades criminais (60%) e ao desencorajamento de investimentos em inovação (53%). "De forma geral, o campo-grandense tem a percepção de que ao comprar produto pirata prejudica sobremaneira às atividades econômicas legais. Por outro lado, talvez as pessoas vejam que a pirataria praticada em Campo Grande seja mais uma atividade ilegal, fora do controle de fiscalização do que uma fonte de alimentação para outras atividades criminosas mais perigosas", analisa José Francisco.
Com relação à atitude de compra, a pesquisa mostrou 46% dos consumidores pensam em um produto pirata quando pretendem comprar alguma coisa, 51% concretizam a compra, 33% recomendam os produtos piratas aos amigos e parentes, mas apenas 29% comentam e dizem coisas favoráveis sobre os produtos piratas.
Ainda sobre este comportamento do consumidor a pesquisa mostra que a experiência de ter ou não comprado produtos piratas retrata diferenças significativas a favor ou na intenção de compra. "Aqueles que não compraram algum produto pirata discordam que o preço e o mercado dos camelôs sejam atrativos e demonstram uma baixa intenção de compra. Estes não-consumidores de produtos pirateados têm a clara percepção que este tipo de comércio prejudica as empresas formais, que não é ético, que não é legal. Por outro lado, tanto o comprador e o não comprador de produtos pirateados têm o mesmo entendimento para o custo social e a disseminação do benefício social deste comércio", relata.
Em se tratando do perfil do consumidor, a pesquisa não mostra relação entre esse comportamento de compra e variáveis demográficas (sexo, nível de escolaridade e renda familiar). "Isto pode indicar que tanto os homens e as mulheres estão propensos a comprar produtos pirateados e que todos os níveis de escolaridade apresentam ser potenciais compradores. Outra revelação importante é que a compra do produto pirata não parece ser um resultado da incapacidade de pagamento do consumidor, pois foi encontrado que as rendas mais altas também fazem este tipo de transação", acrescenta Celso Correia.
A pesquisa resultou em monografia elaborada pela estudante do curso de Administração Edicléia Pereira Bilaia e orientada pelo professor José Francisco, intitulada Comportamento do Consumidor de Produtos Piratas: efeitos atitudinais e demográficos do consumidor de Campo Grande, MS.
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