Geral
A discussão sobre a pavimentação de ruas com paralelepípedos foi articulada tempos atrás, a partir de pesquisa inserida no site do Pantaneiro. Na opinião da maioria dos votantes, os paralelepípedos devem ser substituídos por pavimentação asfáltica em Aquidauana. O assunto voltou a ser ventilado no recente Seminário sobre Educação e Segurança do Transito, sendo inserido na "Carta de Aquidauana" .
Embora os primeiros registros de asfaltamento utilizando-se piche como matéria básica datem do ano 3000 a.C., no Oriente Médio, o uso do paralelepípedo, no revestimento de vias urbanas, obteve prioridade em muitas cidades do país, especialmente as mais antigas, ao longo dos séculos passados.
Na medida em que os tempos avançaram, a tradição das ruas de paralelepípedos começou a ser atacada. Nunca, contudo, nos lugares onde as pedras foram substituídas por asfalto, a mudança aconteceu sem debates e discussões. Em alguns casos a Justiça foi acionada para impedir a substituição. Em outros, a mudança ocorreu sem maiores traumas.
A questão levantada por este jornal não é tão simples e jamais será resolvida apenas com uma consulta popular ou algo semelhante, pois envolve vários fatores. Quando na cidade paulista de Pirassununga a Prefeitura resolveu substituir o pavimento de paralelepípedo de seu quadrilátero central, a obra foi embargada. A preservação, por razões históricas, foi mantida.
No Estado de Minas Gerais, onde muitas ruas preservam os paralelepípedos, principalmente nas chamadas cidades históricas, uma situação oposta aconteceu, em Lavras. Não apenas os marcos antigos de suas ruas foram removidos, como muitos casarões centenários foram derrubados, dando lugar a prédios modernos.
Essas duas referencias são apropriadas para a resposta que devemos dar a um questionamento levantado por um escritor bíblico: devemos remover os marcos antigos? Em alguns casos a resposta tem sido afirmativa. Porém a visão de muitos administradores de que "asfaltar é preciso", evocando-se o progresso como justificativa, tem que levar em conta os referenciais históricos das urbes. Ninguém ousaria, por exemplo, extirpar os paralelepípedos de Ouro Preto, em Minas, a não ser por razões de segurança.
Há quem aponte um meio termo entre os dois extremos, especialmente nas cidades onde o antigo e o novo se misturam. Neste sentido, é possível definir um núcleo antigo em Aquidauana, onde o acesso por meio de vias com paralelepípedo manteria um vínculo mais forte com sua história? Certamente existe. Daí, talvez o mais coerente seja manter os traços da tradição antiga em algumas áreas e asfaltar as vias inseridas em regiões mais novas.
O enfrentamento do problema talvez seja importante para que uma política de preservação seja estabelecida, prevendo a recuperação permanente de ruas com pavimentação em paralelepípedos. Também para excluir definitivamente os remendos hoje existentes em alguns trechos de ruas, onde paralelepípedos e asfalto se misturam. Como disse alguém: "ou é um, ou outro".
Do ponto de vista prático alguns leitores que consultamos lembram que há vantagens e desvantagens na manutenção dos paralelepípedos. A grande vantagem é sem dúvida cercear o ímpeto dos motoristas, que abusam da velocidade nas vias com pavimentação asfáltica, especialmente Duque de Caxias, Pandiá Calógeras e Avenida Pantaneta. Já uma das desvantagens indicadas é o efeito dos solavancos na estrutura dos veículos. Taí uma questão que mais cedo ou mais tarde nossos administradores vão ter que enfrentar.
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