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Redução dos salários: sindicalistas rompem negociação com empresários

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De acordo com as centrais, para evitar demissões, uma das soluções é reduzir a taxa básica de juros em ao menos 2%.


Os presidentes da Força Sindical, da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), da Nova Central, da UGT (União Geral dos Trabalhadores) e CGTB da (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil) concluíram, na reunião desta quinta-feira (15), que a solução para evitar as demissões nas empresas, causadas pela crise mundial, é reduzir a Selic, a taxa básica de juros, de maneira a incentivar os investimentos da iniciativa privada.


A CUT (Central Única dos Trabalhadores) foi convidada para o encontro, mas não compareceu.


Diálogo suspenso
Desde a semana passada, a Força Sindical discutia com a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e representantes de empresas uma saída para evitar as demissões, concordando até mesmo com a redução da jornada de trabalho acompanhada dos cortes salariais.


No entanto, de acordo com a assessoria de imprensa da CTB, a Força, presidida por Paulo Pereira da Silva, suspendeu as negociações. O motivo é que as centrais sindicais acreditam ser melhor dialogar com o governo, antes de negociar com empresários.


A posição dos empresários
A Fiesp havia se comprometido a oferecer 100 mil vagas no Senai para requalificação dos trabalhadores atingidos pelos acordos que futuramente podem ser firmados entre empresas e funcionários, com o respaldo dos sindicatos.


Na quarta-feira (14), durante reunião do Conselho Superior Estratégico da Fiesp, da qual participaram executivos de algumas das maiores empresas do País, concluiu-se que a redução da jornada de trabalho e dos salários seria uma boa saída para evitar as demissões, porém a medida se daria sem garantia de emprego.


Segundo explicação da assessoria de imprensa da Fiesp, se os empresários optarem pela redução da jornada e dos salários, é porque não pretendem demitir, porém, diante das dificuldades impostas pela crise, não é possível oferecer estabilidade no emprego por um período além do compreendido pelo acordo.


"Durante o tempo em que ficar acordada a redução da jornada e de salário (entre trabalhadores e empresas, com respaldo dos sindicatos), a manutenção do nível de emprego deve ser garantida", enfatizou o presidente da Fiesp.


Nota divulgada
Os dirigentes das centrais divulgaram uma nota na qual realçam a importância da unidade da classe trabalhadores neste momento de crise, bem como propõem várias medidas e iniciativas em defesa do emprego, dos salários e dos direitos do trabalhador. Confira as propostas:


Exigência de contrapartidas sociais, especialmente a garantia dos empregos, de todas as empresas e setores econômicos beneficiados com recursos públicos (empréstimo, isenção fiscal, entre outros recursos);


Fim das horas-extras;
Eliminação do banco de horas;
Redução imediata de pelo menos 2% da taxa básica de juros (Selic);
Redução substancial do "spread bancário";
Ampliação das parcelas do seguro-desemprego;
Ampliação dos aportes financeiros do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), destinados à qualificação da mão-de-obra;
Autorização para que o trabalhador possa utilizar até 20% de sua conta do FGTS no FI-FGTS (Fundo de Infraestrutura);
Manifestação no próximo dia 21, em frente ao Banco Central, em São Paulo, pela redução da taxa de juros.


As propostas serão entregues ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, aos governadores estaduais, e ao ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi.

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