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Morte de Eudes Paulo da Cunha Viana comove Aquidauana!

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"Há momentos que palavras não resolvem", diz uma antiga canção popular. Ela reproduz, literalmente, o que se viu na tarde desta terça feira (07), em frente ao Instituto Médico Legal,  em Aquidauana, onde centenas de pessoas se comprimiram  para acompanhar o cortejo que levou  ao cemitério municipal o corpo do jovem Eudes Paulo Cunha Viana, 23 anos,vítima de latrocínio.  Elpídio e Elina - os pais -  estavam inconsoláveis.


Entre um soluço  e  outro  amigos, familiares e mesmo  desconhecidos, chocados com o trágico desfecho do drama vivido ao longo de 4 dias pela família do taxista, arriscavam dizer alguma coisa, quase sempre palavras de protesto. E uma indagação pequena, mas carregada de dor,  que ninguém ousava responder,  predominava: "Por que?" Tomada de emoção a jovem Márcia, que preferiu não revelar o sobrenome, transformou uma afirmação da banda Legião Urbana em interrogação: "Por quê os bons morrem jovens?".


Eudes Paulo da Cunha Viana, 23 anos, formado em turismo, taxista, tinha o cotidiano marcado  pelo trabalho, vida em família, apego aos amigos e as coisas comuns de todo jovem saudável de sua geração.  Sonhava, como todos,  com um futuro melhor e ao pensar no futuro, projetava esposa, filhos e a vida comum do lar.  E como qualquer ser humano normal, jamais imaginava que a maldade, em sua forma mais atroz, cruzaria o seu caminho, corporificada na pele de dois homens, ou "animais" como expressavam os mais exaltados,  na manhã quente de um dia de adeuses.


Tão atroz o desfecho de sua vida, que não houve nem  tempo para o velar do corpo. O cortejo lento, porém, cortando a Pandiá  Calógeras, a 7 de setembro e outros percursos que bem conhecia, foi  o  último tributo, marcado por "lágrimas,  indignação e um desejo de justiça", como bem narrou a jovem Rosileny Ribeiro, que escreveu textos ainda impregnados de esperança, enquanto a fatídica tarde da segunda feira não havia chegado.


"O que dizer nestas horas?" arriscou perguntar a um líder religioso um ancião emocionado, deixando evidente que mesmo com o passar dos anos os homens não conseguiram responder certas perguntas.  Por isto, a inação do abordado e de todos que estavam próximos, quando a multidão chocada passava pela Praça dos Estudantes, onde era comum Eudes ser visto, no Ponto (de táxi), que foi o "ponto de partida"  de seus momentos finais.  


"Ta faltando Deus no coração das pessoas", disse,  pausadamente, uma jovem mulher, interrompendo o silêncio. "É verdade" , respondeu outra. E assim se sucederam outras discussões ao longo do que restou de um dia em que a cidade chorou a perda de um filho e a maldade mostrou sua cara, na forma mais cruenta.  Que descanse em paz o jovem Eudes, que sejam consolados seus pais, irmão, amigos, parentes. E que todos nós possamos rechaçar, veementemente, tudo aquilo que depõe contra a vida. Mais que isto: que possamos fazer alguma coisa para que outras mortes, semelhantes, não sejam necessárias prá percebermos, como canta Bod Dylan, que já se matou demais!



 


Vivaldo S. Melo

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