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Dança que marcou Dia do Índio em Aquidauana é um memorial à paz!

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A "dança do bate pau", que foi uma das maiores atrações nas festividades do Dia do Índio nas aldeias de Aquidauana é o mais relevante exemplo da riqueza da cultura terena, alvo de grandes atenções de parte do prefeito de Aquidauana, Fauzi Suleiman (PMDB). Fauzi aproveitou as celebrações para falar dos vários investimentos e ações já desenvolvidos por seu governo.  E literalmente entrou na dança, juntamente com a primeira dama, Selma Suleiman, e o seu vice, Vanildo Neves.


Não deixa de ser curioso que os movimentos que sugerem um rito de guerra, para o observador leigo, na verdade celebram a necessidade de paz entre os povos. É o que lembra uma das referencias mais antigas da etnia, na região, o Sr. Isaque Dias, tataraneto do fundador da comunidade Limão Verde, Manoel Lutuma Dias.


Quase despercebido no meio da multidão que compareceu a festa naquela aldeia,  no domingo (19), Isaque lembra que seu povo veio do Chaco Paraguaio. Se estabeleceu em Aquidauana antes da Guerra do Paraguai, fugindo de conflitos tribais, em solo guarani, onde dois grupos se rivalizavam, um formado por homens que trabalhavam na terra e outro por homens que desejavam apenas usufruir de seus frutos, sem esforços.


Cansados e no meio deste conflito entre os povos Ilai e Iunaenu, os descendentes de Manoel Lutuma, de raízes aroaque, queriam um lugar tranqüilo para plantar, colher e viver. Aqui chegando, por uma dessas ironias da história, tiveram que lutar contra os paraguaios, na guerra, junto com os kadiweus. Assim, a dança conhecida originalmente como "Kipaê" (Ema), embora invoque essas lembranças sofríveis, pode representar, também, o anelo por paz, entre os povos indígenas.


De forma pausada, mas sem perder o raciocínio, Isaque Dias manifesta o mesmo desejo que o prefeito Fauzi, ao se dirigir ao seu povo, expressou em seu discurso: a manutenção dos traços culturais terenas.  "As gerações mais novas (terenas) precisam manter a cultura., A dança do bate pau é um exemplo. Ela é uma recordação de um passado que não queremos viver e a expressão de um cotidiano que queremos prá nossos filhos, em paz", conclui Isaque.

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