dothCom Consultoria Digital
Publicado em 24/04/2009 às 14:51
Atualizado em 10/09/2026 às 13:54
Cada pequeno detalhe, imperceptível para quem não tem conhecimento sobre antiguidades, pode representar uma descoberta fantástica na perspectiva de um arqueólogo. Com esta perspectiva o professor Dr. Gilson Rodolfo Martins, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, tem feito visitas constantes a Aquidauana. Nesta quinta feira (23), acompanhado de Divaldo Rocha Sampaio e Maria Margarete Ribas Escobar, ele visitou mais uma vez as ruínas de Santiago de Xerez, distante 15 quilômetros da cidade.
"O que vamos encontrar aqui não são coisas espetaculares, pois as pessoas de Xerez eram simples" disse Gilson, referindo-se as escavações que já estão sendo feitas na área, onde, há meio milênio, poderia ter existido a lendária cidade, fundada pelo espanhol Ruy Diaz de Guzman em 1600. Xerez foi por trinta e dois anos um marco da posse espanhola na região. Chegou a ser capital de uma província. Ao ser destruída em 1632 por bandeirantes luso-paulistas, acabaria sendo fundamental para a formação do território brasileiro.
Seguindo com atenção o professor Gilson e os dois pesquisadores do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico, unidade de Mato Grosso do Sul, o prefeito Fauzi Suleiman (PMDB) e o Gerente de Obras, Archibald MacIntyre - MAC - tiveram uma inesquecível aula sobre as marcas das presenças espanhola e portuguesa na região, especialmente na área hoje ocupada pela Fazenda Volta Grande.
O objetivo do contato foi iniciar a sinalização do sítio, com apoio da Gerência de Obras do governo municipal. O local pode transformar-se num grande parque histórico "binacional", segundo Gilson, uma vez que Brasil e Paraguai têm interesse em resgatar a história circundante. Na análise do grupo o trabalho no local pode demorar um bom tempo - até décadas - como aconteceu em Fênix e Guaíra, no Paraná, e Vila Rica do Espírito Santo, povoados que formavam, com Xerez, um cinturão visando impedir o avanço português na direção dos Andes.
Nas primeiras escavações já foram recolhidos ferramentas e artefatos que fizeram parte do cotidiano de Santiago de Xerez. As peças foram encaminhadas ao Museu de Arqueologia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, UFMS, em Campo Grande, onde passam por um processo que envolve registro, interpretação remontagem e catalogação.

Xerez
Embora o sítio arqueológico tenha sido identificado há duas décadas, não foi alvo de pesquisas efetivas até aqui por falta de verbas. Neste tempo chegou a ser ocupado por sem-terras. Uma parceria entre o IPHAN e a Fundação Cândido Rondon está viabilizando o projeto que já permite algumas conclusões. Uma delas é que os moradores do povoado se organizavam em chácaras de um hectare.
Antes de Aquidauana, o núcleo de moradores teria feito o povoado no Vale do Ivinhema. No local, Ruy Diaz de Gúsman, depois de muito procurar pelo "Eldorado", fundou em 24/03/1593, nas proximidades do Rio Ivinhema, meia légua do porto San Matias, o povoado de Santiago de Xerez. Um ataque dos índios Gualachos, que habitavam a região, motivou o deslocamento para Aquidauana, isso em 1599.
Avaliando a visita dos estudiosos, que também estiveram no sítio cultural arqueológico CERA, o prefeito Fauzi Suleiman observa que "Aquidauana é uma cidade que transpira história por todos os poros". Estudioso lembra que temos sítios arqueológicos que registram a presença de populações que por aqui viveram há mais ou menos 2 mil anos. Animado com os trabalhos conclui: "Aquidauana tem tudo para ser um dos grandes centros de visitação para os turistas que apreciam essa modalidade de turismo!"
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