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Antropólogo desenvolve estudo sobre índios de etnia Ofayé

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Histórias ligadas aos povos indígenas sempre despertaram fascínio no antropólogo Giovani José da Siva. O seu projeto atual envolve um estudo aprofundado sobre os índios que viveram na região do Vale do Ivinhema. Segundo o pesquisador, antes da colonização de Nova Andradina, entre o final do século XIX e o início do século XX, a região era habitada por cerca de dois mil índios da etnia ofayé. Hoje em dia, só restam 75 índios, aproximadamente, que vivem na região de Brasilândia, localizada a menos de 200 quilômetros de Nova Andradina.


A busca de explicações para o desaparecimento dos Ofayés é um dos principais objetivos de Giovani no projeto. Mas a principal idéia do Antropólogo é evitar que essa etnia seja esquecida ao longo da história. "O objetivo do projeto se baseia em recuperar fatos históricos que ficaram perdidos. Não resgatar algo, porque fica a impressão que vamos escrever uma história apenas de índios", afirma.


Giovani diz que esse estudo não almeja desmerecer o papel dos colonizadores que participaram da construção de Nova Andradina, mas, sim, explicar para os alunos dele o que existia nessas terras.  Há cinco meses, o antropólogo leciona a disciplina de História da América na UFMS. Para ele, a grande fascinação de Nova Andradina é a possibilidade de reviver a história dos índios que viveram na região.


Um pesquisador reconhecido nacionalmente
Giovani é formado em Antropologia pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso), graduado em História Indígena pela UFMS e, atualmente, está concluindo o doutorado em história pela UFG (Universidade Federal de Goiás). Sua mãe é uma paraguaia que foi criada em Porto Murtinho. Após o falecimento de seu pai de origem paulista, o antropólogo veio com a mãe e os irmãos morar no Mato Grosso do Sul, época em que iniciou os estudos sobre os índios do Estado.


O pesquisador estuda antropologia indígena há quase 18 anos, tendo estudado 8 das 10 etnias existentes no Mato Grosso do Sul. Quando tinha 18 anos de idade, resolveu conhecer os índios Terenas que viviam na região de Aquidauana. Para ele, desvendar a história desses povos e conhecer suas tradições é um processo muito importante da História, como acontece na pesquisa que ele desenvolve sobre os índios de etnia Ofayé.


Segundo Giovani, um dos fatores que pode ter levado os Ofayés a dizimação é a epidemia de varíola na região do Vale do Ivinhema. Baseado nisso, o pesquisador também foca muito o seu trabalho na área da educação.  "O contato que os índios passaram a ter com o 'mundo de fora' trouxeram progressos, mas também coisas negativas, como a incidência de AIDS e doenças sexualmente transmissíveis. Portanto, é necessário educar os índios quanto a essas questões e criar condições para que eles vivam de maneira segura, evitando, assim, uma nova dizimação", explica.


Giovani já ganhou vários prêmios em sua carreira, como o de "Educador Nota 10" no ano de 2001. No ano de 2004, a Globo entrou em contato com a UFMS, pois buscava um especialista em antropologia para ser consultor na novela Alma Gêmea. O nome de Giovani foi escolhido e ele viajou para o Rio de Janeiro. Durante um período de seis meses, ficou na capital carioca acompanhando a novela diariamente e sendo responsável pela preparação de vários atores que trabalhavam no núcleo indígena. Inclusive, ensinou a língua indígena e formas de comportamento em um terreno Kadiwéu para Priscila Fantin, uma das protagonistas da novela.


A participação na novela Alma Gêmea é considerada um presente por Giovani, que foi elogiado em rede nacional por Priscila Fantin no Domingão do Faustão. O antropólogo segue prestando serviços à Globo, mas apenas de Freelancer, pois deve prestar dedicação exclusiva à UFMS. De vez em quando, também ministra palestras sobre índios nas escolas de Nova Andradina.

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