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Inadimplência bate novo recorde em junho; crédito aumenta

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A inadimplência bancária aumentou em junho pelo sétimo mês seguido e atingiu novo recorde, refletindo a dificuldade das empresas em rolar empréstimos em meio à crise financeira global.


Dados divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira mostraram que essa alta ocorreu a despeito de um novo movimento de queda dos juros --que atingiram no mês passado o menor patamar desde dezembro de 2007.


A inadimplência total --que mede os atrasos superiores a 90 dias-- aumentou 0,2 ponto percentual, para 5,7 por cento, maior nível da série do BC, iniciada em 2000.


A alta refletiu uma elevação de 0,2 ponto da inadimplência entre as pessoas jurídicas, para 3,4 por cento. Para as pessoas físicas, a inadimplência ficou estável em 8,6 por cento.


O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, afirmou que a inadimplência "reflete, evidentemente, a crise", mas que a perspectiva é de estabilização no curto prazo.


"Em três meses, o dado já deve mostrar uma tendência de queda", disse a jornalistas.


Uma evidência dessa tendência, segundo Altamir, é que os atrasos de 15 a 90 dias nos pagamentos de empréstimos por empresas já estão caindo. No mês, a queda foi de 0,4 por cento e, no trimestre, de 0,3 por cento.


Altamir destacou que, para as pessoas jurídicas, a situação reflete a escassez de crédito provocada pela crise global. "O crédito cessou, e as empresas enfrentam dificuldade de rolagem."


Em junho, as novas concessões de crédito no Brasil subiram 3,6 por cento ante maio, na comparação pela média diária. No acumulado do ano, houve queda de 1,6 por cento no mesmo tipo de comparação.


TAXA DE JUROS


O estoque total das operações de crédito no país cresceu 1,3 por cento em junho, a 1,278 trilhão de reais, o equivalente a 43,7 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). Em maio, essa relação era de 43,2 por cento.


"O crédito ainda não normalizou na sua totalidade", afirmou Altamir.


A taxa média de juros cobrada pelo sistema financeiro caiu 1,2 por cento em junho, para 36,7 por cento ao ano, menor nível desde dezembro de 2007.


Para Altamir, com o alívio na inadimplência, abre-se espaço para mais reduções do juro ao tomador final. Segundo ele, o custo de captação dos bancos já caiu muito, mas o spread bancário evitou uma queda maior dos juros aos tomadores finais.


No mês passado, o spread bancário, que mede a diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa cobrada dos clientes, teve baixa de 0,9 ponto percentual, para 27,2 pontos percentuais.


Em 12 meses, contudo, o spread médio aumentou 2,7 por cento.

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