dothCom Consultoria Digital
Publicado em 24/08/2009 às 07:56
Atualizado em 10/09/2026 às 13:54
Cresce no Brasil uma indústria que há uma década nem sequer existia: a de produtos eróticos, que deve movimentar cerca de R$ 900 milhões neste ano, quase 15% a mais do que em 2008. A Erótika Fair, maior feira do setor no país, com 12 anos de existência, é o termômetro mais claro de como estão fervilhando os negócios movidos pelo desejo. Em 1997, quando abriu as portas, as vendas totalizaram R$ 300 mil. Pouco mais de uma década depois já somam R$ 4 milhões. Para atender um público cada vez mais exigente, os fabricantes e lojas do ramo não economizam com novidades. Oferecem vibradores em forma de bichinhos, aparelhos que funcionam ligados ao MP3, loções com sabores de chocolate e frutas, papel higiênico com imagens sensuais e bonecas de silicone desenvolvidas com efeitos especiais, vindas de Hollywood.
Se, em meados dos anos 90 os homens eram o principal público-alvo desse mercado, hoje as mulheres são as grandes estrelas. "Elas são responsáveis por mais de 70% das vendas e as mais abertas a novidades", afirma Evaldo Shiroma, presidente da Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico (Abeme). É de olho no antenado universo feminino que a empresária Renata Bertacini, 35 anos, abriu junto com a irmã, Fernanda, a butique erótica Mimo Sexy, na sofisticada região de Alphaville, na Grande São Paulo. Inaugurada há quatro anos, a loja conta com dezenas de artigos nacionais e importados, cosméticos e lingeries, além de promover palestras e cursos. Um dos mais concorridos é o de striptease, a R$ 150 por participante.
Para atender às necessidades da clientela, Renata também vende pela internet. O e-commerce responde por 10% do faturamento médio mensal da Mimo Sexy, na casa dos R$ 25 mil. Também adotou o sistema de delivery, responsável por até 10% das transações. "Esse é um mercado que pede novidades constantes, não só na linha de produtos, mas principalmente no marketing", afirma. Disposta a incrementar ainda mais as vendas, Renata realiza happy hours mensais para um grupo seleto de 15 clientes. "Um mês promovo palestras, no outro, um curso diferente. O resultado é um sensível incremento nos negócios."
A sócia da Mimo Sexy ressalta que hoje as pessoas têm menos vergonha e falam mais de sexo, o que facilita o crescimento do setor. "Muitas das minhas clientes, quando chegaram aqui pela primeira vez, nunca haviam entrado em uma sex shop. Começaram comprando apenas lingerie. Hoje, escolhem um novo brinquedinho a cada visita", conta. Para a sexóloga Carmita Abdo, organizadora do Museu do Sexo e coordenadora do programa ProSex, do Instituto de Psiquiatria da USP, esse é um comportamento que tende a se acentuar cada vez mais. "O liberalismo da população tem sido puxado pelas mulheres. Elas se casam mais tarde e têm um número maior de parceiros. Se a mulher muda, o casal também muda", afirma. Ela calcula que entre 6% e 7% da população adulta brasileira faz uso rotineiro dos objetos eróticos.
Disposto a ganhar mais espaço nesse mercado em ascensão, o empresário André Luiz Marques da Silva, 31 anos, sócio da Adão & Eva, fabricante e importadora de produtos eróticos, se prepara para a primeira grande expansão da empresa. Há dois anos, quando começou a operar, sobrava espaço no galpão de 500 metros quadrados para estocar os produtos prontos. Hoje falta. "Investimos R$ 500 mil na reforma e adequação de uma nova área de 2 mil metros quadrados, que deverá entrar em operação em breve", afirma Silva. A empresa tem 1.200 produtos em catálogo, entre eles, vibradores, próteses penianas, artigos de couro, como chicotes e algemas, e uma linha de cosméticos com a marca SexyHot. "Quando começamos, contávamos com apenas 50 itens, o que prova que para ganhar a preferência dos clientes, cerca de 3.500 ativos, é preciso ser dinâmico e oferecer novidades constantes."
A opinião é compartilhada pelo empresário Edvaldo Bertipaglia, 42 anos, dono da Hot Flowers, fabricante de artigos eróticos, com sede em Indaiatuba, interior de São Paulo. Há cinco anos no mercado, 150 funcionários e um faturamento anual próximo dos R$ 12 milhões, a indústria ocupa cinco galpões, num total de 3.500 metros quadrados, onde produz e estoca suas linhas de mais de 700 produtos. "Investimos R$ 2 milhões em máquinas e na criação de novos artigos. Sem novidade não há negócio", afirma Bertipaglia.
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