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Acusação sustenta que PCC pagou assassinos de Morel

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Depois de ouvir a argumentação da defesa, o promotor Paulo César Passos usou o tempo de replica da acusação para explorar a relação entre Fernandinho Beira-Mar, PCC e advogados contratados após o assassinato do traficante João Morel.
Aos jurados, ele explicou que o réu não é obrigado a falar a verdade, e definiu Beira-Mar como um criminoso "Vocês estão a julgar uma pessoa extremamente perigosa, fria e articulada".
Novamente, Passos mostrou documentos apresentados como provas da relação do traficante com o crime, cometido dentro do Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande, em 2001.
A promotoria sustenta que a escolha do executor foi feita pelo próprio Fernandinho Beira-Mar, junto de integrantes do PCC.
O escolhido foi Odair Moreira da Silva, o Marreta. Segundo a acusação, a quebra de sigilo telefônico mostrou que antes de matar Morel, o assassino fez ligações e contratou advogados, sustentando o indício de crime planejado..
Os telefonemas foram feitos aos advogados Keila Falcão, Maria Iracema, Willian Macksoud, e Damião Cosme.
Depois da execução, dois deles foram até a Máxima e já se apresentaram como advogados de defesa de Odair.
A princípio foi dito que o tio de Marreta teria pago os honorários, mas ele mesmo negou o pagamento, segundo a acusação.
Dias depois, o grupo de advogados esteve em Brasília, onde Beira-Mar estava preso em 2001. O promotor citou detalhes que levantam mais suspeitas sobre a relação entre Odair e Beira-Mar.
Segundo passos, os advogados se comunicavam com Beira-Mar apenas com bilhetes, escritos com caneta preta e colados ao vidro que os separa do cliente em conversas dentro do presídio. Depois do recado dado, os papéis eram destruídos, afirmou a acusação.
Outro ponto reforçado foi a relação de rivalidade entre Beira-Mar e Morel, na disputa pelo comando do tráfico na fronteira entre Brasil e Paraguai.
O promotor expôs mandado de prisão expedido pelo Paraguai contra Fernandinho, acusado da morte dos 2 filhos de Morel, 8 dias antes do crime na Máxima.
A acusação lembrou também, com exceção de uma testemunha, todas as outras foram assassinadas. A última morte foi de Marcelo Diniz, e ocorreu em janeiro deste ano, em Três Lagoas.
A defesa sustentou que a testemunha Ivanézio de Souza apresentou contradições, o que para a acusação foi medo. Passos citou trecho do depoimento dele: "ainda hoje continuo sofrendo risco de vida".
Outra questão contestada pela promotoria foi o fato da irmã de Morel e do irmão terem negado a participação de Beira-Mar no crime. "Depois eles disseram que não tinham nada a declarar", lembrou o promotor alegando também que os dois temiam a morte.

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