dothCom Consultoria Digital
Publicado em 12/11/2009 às 16:21
Atualizado em 10/09/2026 às 13:55
Representado por toda a sua família e em especial por sua esposa Gilda (Juinha), o baiano Elídio Teles de Oliveira, falecido no ano de 1992, recebeu na noite desta quarta-feira, (11), uma justa homenagem em comemoração ao centenário de seu nascimento.
A data foi lembrada no dia de seu nascimento com uma edição especial da Roda de Viola Itinerante, projeto da Rádio Difusora em parceria com a Fundação de Cultura do Governo Municipal (Fundaq) realizada na Concha Acústica, na Praça dos Estudantes.

Elídio Teles de Oliveira foi lembrado principalmente como um ótimo chefe de família, empresário da comunicação e acima de tudo uma pessoa que lutou com muita determinação para implantar a primeira emissora de rádio em Aquidauana e região, e uma das pioneiras emissoras do então estado de Mato Grosso.
Com a presença de centenas de pessoas e muitas autoridades dos municípios de Aquidauana e Anastácio, a homenagem ao empresário e radialista foi apresentada por todos os comunicadores da emissora - Plinio de Góes, Ferreira da Silva, Áureo da Silva, Ronaldo Regis, Odair, Benites, radialistas da emissora que se revezavam na apresentação dos artistas e nas lembranças que ficaram guardadas dos antigos tempos da Rádio Difusora. O clima era de saudade, mas a alegria acompanhava cada instante das homenagens.
Nas apresentações culturais, muita música sertaneja, moda de viola e é claro, um bom forró, que animou toda a platéia e relembrou a cultura baiana do homenageado. E nesta seleção de forró, reproduzida pela Banda do Barril, foi apresentada um grande sucesso brasileiro, "Meu limão, meu limoeiro", sendo esta a primeira música levada ao ar pela Rádio Difusora, anunciada por Hélio Souza e Silva como locutor e o sonoplasta Vitor Hugo Corrêa Leite, no ano de 1952.
Entre uma música e outra, surgia sempre uma recordação dos antigos tempos, como os marcantes recados do "Mensagem Social - Quem ouvir favor avisar" do Programa Mensagem Social. Nesta programação, os ouvintes enviavam os seus recados a seus familiares, numa época em que o Rádio era o único meio de comunicação. Alguns desses recados fizeram rir a seus ouvintes pela maneira de como eram anunciados: "Seu João, mandaram avisar o falecimento da sogra. No mais está tudo bem!".

A homenagem se estendeu pela madrugada e trouxe além de boas recordações muito conhecimento sobre a instalação da primeira rádio na região.
Entre os artistas que se apresentaram: Deja (Filhos de Anastácio e violão), Banda do Barril - Ramão, Lima Neto, Lázaro, Gaeta, Washington, Beto e Luciano; Aurélio Miranda, Nei do Prado, Tatoo e Kiko e Mané Cabeça Oca.
Em um momento solene, ao lado da dona Juinha, Eliane e Ingrid, o prefeito de Anastácio - Cláudio Valério lembrou da figura de Elídio Teles de Oliveira, seu primeiro patrão - quem primeiro assinou sua carteira de trabalho nos anos 80. Disse do seu caráter e honradez de homem sério.
O prefeito Fauzi Suleiman também falou do significado de Elídio Teles de Oliveira para a cultura e desenvolvimento social de Aquidauana e região com o seu empreendedorismo. A Câmara Municipal de Aquidauana aprovou Moção de Congratulações à Rádio Difusora de Aquidauana.
História
A história de Elídio Teles de Oliveira começou de forma simples. Baiano que veio até o Mato Grosso para reencontrar o pai que trabalhava por aqui, decidiu ficar e trabalhar como garimpeiro até se instalar em Aquidauana. Trabalhou como recenseador na Prefeitura Municipal e foi sócio do jornal Correio do Sul, de onde surgiu o gosto pelo jornalismo e o sonho de montar a rádio.

Segundo a sua filha Eliane de Oliveira Vargas, "Seo" Elídio começou montando um serviço de alto-falante numa praça da cidade para divulgar mensagens de utilidade pública e também para encaminhar mensagens e avisos aos namorados. A iniciativa deu certo e com a concessão e ajuda de amigos na aquisição de equipamentos, nascia em 16/03/52 a Rádio Difusora de Aquidauana.
"Eu lembro da rádio funcionando com programas em auditório, noticiário local, músicas sertanejas de raiz, tinha mensagem social que mandavam para as fazendas, depois com onda tropical pegava em toda a região, até fora do Brasil", destaca Eliane.
Segundo ela, as pessoas do campo mudaram de hábito com a programação da rádio. "As pessoas só iam para o campo depois que escutavam o programa Mensagem Social. Não tinha telefone, não tinha nada. Então o único meio de manter as pessoas informadas era a Rádio Difusora", recorda-se. Com relação a programação musical, seo Elídio era contra a veiculação de músicas estrangeiras. "Na rádio era só sertanejo de raiz e música brasileira", afirma.
Outra que se recorda com muita emoção de Elídio Teles, é a neta Ingrid de Oliveira Kroll Leite. Atualmente ajudando a mãe Eliane de Oliveira na administração do patrimônio construído com muita determinação pelo avô, Ingrid lembra o lado humano e familiar que seo Elídio possuía. "Ele era um exemplo de vida. Começou do nada, não cresceu em cima dos outros e deixou pra gente esse legado", salienta.
Sobre a retomada da rádio, que ficou 17 anos arrendada, Ingrid afirma que partiu da necessidade de reaver todo o patrimônio construído com muito esforço pelo avô. "A empresa estava numa situação difícil, a gente resolveu reaver, pra recuperar uma história, pra não deixar acabar algo que demorou anos para ser construída", revela.
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