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Mansão de empresário foragido é símbolo do abandono em Dourados

Ninguém tem aparecido para bancar o aluguel do imóvel

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Símbolo da ostentação e ambiente de baladas festas em tempos de outrora a mansão de Hyran Garcete, seguramente a maior de Dourados, foi posta para locação há pelo menos sete meses pela Imobiliária Terra sem que até agora tenha aparecido alguém com cacife para bancar o aluguel.

Localizada em área nobre, na Rua Albino Torraca, 1727, as iniciais do proprietário são estampadas no principal portão de entrada dentro de escudos. O aluguel está sendo oferecido a R$ 10 mil cujo valor pode ser negociado porque a casa fechada há bastante tempo requer reparos e serviços de manutenção.

O patrimônio, segundo um avaliador que estimou o valor sem saber ao certo a área construída, gira em torno de R$ 2,5 milhões. São dez terrenos e cada pode valer, pelo menos, R$ 150 mil nos dias atuais nessa parte ocupada em sua maioria por casas de elevado padrão.

A imobiliária não soube informar a área construída, limitando-se a relatar que as proprietárias, no caso, as irmãs de Garcete que moram atualmente em Campo Grande, autorizaram a afixação de uma placa de aluguel na frente da mansão. Por algum tempo a imobiliária tentou alugar sem a placa.

O patrimônio talvez pudesse ser transformado em uma escola, mas a estrutura não facilita essa adaptação. Apesar de a residência aparentar ser grande, boa parte é formada por área de lazer.

Hyran Garcete, o “Hyranzinho”, que chegou a ser o único na cidade a exibir pelas ruas um Ferrari quando mais jovem, promoveu concorridas festas no local.

A imobiliária diz que o patrimônio tem três herdeiros. Para quem tiver interesse ou mera curiosidade em saber mais detalhes da mansão basta acessar este endereço no site da locadora: http://www.imobiliariaterradourados.com.br/imovel.php?id_imovel=71.

A área externa contém portaria com banheiro, fontes, portão eletrônico, duas piscinas, quadra poliesportiva, estacionamento, restaurante, bar, cozinha planejada, churrasqueira, despensa e vestiários; o piso superior possui entrada principal com mezanino, mezanino com sacada, duas suítes com área externa e um quarto com área externa; o térreo tem uma suíte com closed, sala com dois ambientes e jardim de inverno, sala de estar com bar, um escritório com área externa, cozinha planejada, despensa com área externa, lavabo com área de serviço, dependência para empregada com área externa, salão de festa, um quarto com área externa, vestuários com várias duchas, sauna, lavabo, sala de jogos, cinema e sacada para piscina.

Justiça

Hyran Garcete e família tiveram e ainda têm muitos problemas com a Justiça. Hyran ficou preso por algum tempo em Campo Grande até conseguir liberdade provisória, mas consta, extra-oficialmente, que ele estaria foragido.

Hyran foi acusado de liderar organização criminosa que era responsável pelo comércio clandestino de cigarros no Brasil e tráfico de armas. Chegou a ser indiciado por porte ilegal de arma de grosso calibre.

Ele foi preso durante a Operação Bola de Fogo, da PFl, em 2006. Conforme auto de prisão em flagrante, em cumprimento aos mandados de busca e apreensão da Operação Bola de Fogo foram apreendidas na residência e em outros imóveis de propriedade do empresário um fuzil SIG, uma submetralhadora UZI, um fuzil COLT AR 15, uma pistola Glock 25 calibre 380, uma pistola UZI, revólveres, diversos carregadores e munições de diversos calibres.

Garcete responde processo por contrabando, sonegação fiscal, organização criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, em trâmite na 3ª Vara da Justiça Federal, demonstrando intenso envolvimento com o mundo do crime. Além disso, o empresário tem fazenda e residência na fronteira com o Paraguai, além de negócios e pessoas de sua confiança no país vizinho.

O empresário, capturado em Mato Grosso do Sul, é apontado como o chefe do esquema com ramificações em dez Estados, no Paraguai e nos Estados Unidos. Durante as investigações, a Justiça Federal seqüestrou mais de 80 imóveis, 180 veículos e um avião das 97 pessoas que foram presas, além de bloquear aproximadamente R$ 400 milhões em 300 contas bancárias de empresas e pessoas físicas envolvidas com a máfia.

De acordo com a Polícia Federal, ele era o responsável pela entrada de grande quantidade de cigarros contrabandeados, armas e drogas no Brasil. Também estariam envolvidos o sogro de Garcete, Nelson Kanomata, Sebastião Safaki, Sérgio Escobar Afonso e Cláudio Roberto da Silva.

A organização criminosa, segundo o MPE, liderada por Garcete e Nelson Issamu Kanomata era encarregada de distribuir dentro do território nacional as cargas ilícitas de cigarros oriundos das empresas Sudamax Indústria e Comércio de Cigarros Ltda., sediada em Cajamar (SP), e da “empresa espelho” Tabacalera Sudan SRL, de Ciudad Del Este, no Paraguai, as quais integram a multinacional United Manda Inc, localizada em Los Angeles, nos Estados Unidos, sendo uma delas liderada por Hyran Georges Delgado Garcete e a outra por Alberto Henrique da Silva Bartels, Sebastião Oliveira Teixeira e Luciano Silva.

No decorrer das investigações ficou demonstrado, ainda, que essas organizações criminosas também distribuíam em território nacional cigarros fabricados por outras tabacaleras do Paraguai, como a Tabacalera Del Este S/A e a Tacabalera Central, sendo certo que os cigarros paraguaios eram introduzidos clandestinamente no Brasil através da “Ponte da Amizade”, localizada entre Foz do Iguaçu (PR) e Ciudad Del Este, e através da “fronteira seca” do Estado do Mato Grosso do Sul. Os cigarros fabricados no Paraguai eram pagos pelos membros das organizações criminosas mediante operações de câmbio “clandestinas” em casas de câmbio paraguaias e brasileiras situadas nas regiões de fronteira.
 

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