ADEUS MESTRE
Poema: Valdemir Gomes dos Santos
F alar da educação é...
R elembrar sua trajetória.
A o magistério dedicou suas energias.
N a vida sempre buscou...
C onstruir melhores dias.
I gual a uma aranha.
S ua teia tecia.
C om dedicação e zelo...
O ofício exercia.
R igoroso... Exigente, solidário.
O rientava seus pupilos.
M as... O fazia com amor.
U ma legião de filhos...
A lunos... Amigos!
L apidava transformava.
D edicava aos educandos...
O melhor da profissão.
D oou-se ao esporte.
E ste... Era sua vida.
P rofessor com “P” maiúsculo.
A educação reconhece em você...
U m exemplo de profissional.
L evou conhecimento... Luz à multidão.
A gora... Descanse em paz, Cidadão!
13/06/2010
Francisco Romualdo de Paula
Quando subiu ao palco, em 2009, com seus amigos do Bataclã, Romualdo de Paula, estava radiante. Nem ele e os parceiros de tantas histórias, sabiam que ali se desenrolaria um capítulo final de sua própria história naquele que foi o grupo artístico que mais projetou o nome de Aquidauana, no Mato Grosso do Sul, além de suas fronteiras. Criado em 1976, o Bataclã era composto de 18 profissionais liberais, que utilizavam como linguagem estética a música e a linguagem, tendo Romualdo como um de seus principais componentes.
O clima era de recomeço. Hábeis, talentosos e “maravilhosos na arte de representar”, como diria Carlos Cabral, então diretor da Fundação de Cultura do município, porém finitos como todos os mortais, não sabiam que o destino conspirava para uma despedida. Por isto, cada momento da preparação que antecedeu uma noite de gala, foi intenso e divertido.
Talvez para que a história não esqueça este artista incomum, Romualdo partiu, deixando órfã a cultura da Princesa do Sul como é conhecida a terra que ele adotou desde os tempos que deixou o interior de São Paulo, às vésperas de mais uma participação do Brasil na Copa do Mundo. Sim, porque ele tinha no futebol, outra grande paixão. Jogou como poucos nos gramados de Mato Grosso do Sul e teve o privilégio de integrar o plantel do Noroeste, de Baurú, sua terra natal, em sua fase áurea. Assim, se esquecê-lo vai ser difícil, pela força de sua obra, o evento macro do esporte que tanto amou, em sua edição africana estará sempre associado, em nosso imaginário, à sua figura, até por conta de sua negritude.
Romualdo, que morreu no último sábado (12), vitimado por um derrame cerebral, era negro, mas com uma alma certamente mais alva do que a neve. Conseguiu transpor todos os limites impostos pela cor de sua pele, com garra e determinação. Era um desses homens que, segundo Bertolt Brecht, são imprescindíveis, porque devotou toda a sua vida a luta por um mundo melhor. E conseguiu. As marcas de sua presença, por aqui, serão, para sempre, indeléveis.
Vivaldo da Silva Melo