A rotina de estudos é pesada. De manhã, aulas de português e física. Pausa para o almoço e mais leitura. À noite, quem aguenta ainda revisa as matérias. Nem o mês de férias faz os alunos pararem: grande parte prefere ignorar a chegada de julho para estudar mais do que os concorrentes e, assim, levar vantagem nas provas. Candidato a uma vaga no curso de engenharia civil, Marcus Basile, 17, tem uma viagem marcada para São Carlos neste mês. Mas, no seu caso, não tem a ver com descanso. Pelo contrário, ele fará um curso de física na cidade.
- É para ver o tamanho da “bitolação”. Vou viajar para estudar e no resto das férias já tenho programação diária de estudos.
Essa “bitolação” também fará parte das férias de Rafael Rodrigues Araújo, 19, que neste ano tenta vaga na USP (Universidade de São Paulo) pela segunda vez. Ele disputa o mesmo curso de engenharia que Marcus, e afirma que ter relaxado em julho do ano passado o prejudicou nas provas.
- Ano passado não estudei nas férias. Acho que isso me atrapalhou, porque sei que muitos que estudaram [nesse período] passaram no vestibular.
Equilíbrio é necessário
Para a psicoterapeuta Celi Piernikarz, é preciso equilibrar o tempo de estudos e descanso nas férias. Ela afirma que o aluno não deve se desligar totalmente de seu objetivo.
- Não acho que ele [o vestibulando] deve interromper os estudos durante os 30 dias de julho. Ele precisa se organizar para alternar os estudos com o descanso, sem exagerar em nenhum dos dois.
É assim, com uma boa dose de organização, que Estephanie Garcia, 21, pretende reservar alguns dias para revisar as matérias que têm mais dificuldade. Mesmo estando no quarto ano de cursinho, na disputa por uma vaga para medicina nas universidades públicas mais difíceis do país, ela assume que vai reservar uma semana de "retiro".
- Vou descansar uma semana porque acho que o meu corpo precisa. Mas também vou estudar, bastante, quero que este seja meu último ano de cursinho.
Se desligar
Apesar de vários vestibulandos investirem pesado nos estudos, o coordenador do cursinho Objetivo Caio Calçado, afirma que os estudantes devem "se desligar" nos 21 dias em que não há aulas na instituição.
- Férias foram feitas para descansar, para que o aluno tenha energia para encarar o segundo semestre, já que o cursinho exige 100% do jovem.
Uma semana viajando para Macéio. Essa é a receita da vestibulanda Mariana Navarro, 19, para voltar no segundo semestre com 100% de disposição. Depois dos dias na praia, a estudante, que pretende ser aprovada no curso de veterinária, se renderá aos livros.
- Vou usar pelo menos uma semana [das férias] para fazer as lições atrasadas e tirar dúvidas.