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Incra/MS reforça apoio aos brasiguaios do Estado

No início deste mês, a Ouvidoria Agrária da superintendência visitou o acampamento Antônio Irmão

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O Incra/MS (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) pretende ampliar o apoio às famílias brasiguaias em retorno ao Brasil. No início de julho, a Ouvidoria Agrária da superintendência visitou o acampamento Antônio Irmão, erguido às margens da BR 163, na altura de Itaquiraí, a 350 quilômetros de Campo Grande, capital sul-mato-grossense.

Durante a visita da Ouvidoria Agrária, a equipe do Incra ouviu relatos das necessidades locais. A prioridade da superintendência é assegurar a sobrevivência das pessoas. Até o momento, em 2010, o instituto encaminhou dois lotes de cestas de alimentos em parceria com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e entregou 33 toneladas de gêneros como arroz, feijão, leite em pó e açúcar. Na última remessa, foram beneficiadas 573 famílias entre brasiguaios e demais integrantes do acampamento.

Na próxima semana, a autarquia irá apoiar a segunda ação de atendimento da Cruz Vermelha. Também serão enviadas lonas para reforçar os barracos, até surgirem áreas capazes de receber os agricultores de forma definitiva. Nesse sentido, a Funasa (Fundação Nacional de Saúde) foi contratada para providenciar água potável, e a prefeitura recebeu recursos federais para fortalecer os serviços de saúde e educação. Entidades como a Cruz Vermelha já estiveram no local para prestar assistência médica.

Segundo o superintendente regional do Incra, Waldir Cipriano Nascimento, os integrantes do acampamento Antônio Irmão já foram cadastrados pelo órgão. As famílias brasiguaias com perfil apropriado serão incluídas na listagem de demanda do Programa Nacional de Reforma Agrária e assentadas conforme a disponibilidade de espaço.

Hoje, a autarquia possui sete imóveis para serem transformados em assentamentos em Mato Grosso do Sul. Porém, o sul do estado só poderá ter novos projetos mediante autorização da Fundação Nacional do Índio (Funai), que precisa concluir o estudo das áreas de interesse indígena na região.

História dos brasiguaios

"Brasiguaio" é o termo usado para definir brasileiros e descendentes que moravam no Paraguai há pelo menos três décadas. Nos últimos meses, centenas dessas famílias voltaram à terra natal expulsas por milícias armadas contrárias aos migrantes. A maioria dos brasiguaios é constituída por pequenos agricultores expropriados de suas terras. Por esse motivo, um dos principais destinos foi o reforço ao acampamento Antônio Irmão, montado pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), em 2009, a 90 quilômetros do limite entre os dois países.

Entre as pessoas ouvidas pelo Incra, estão as brasileiras Adélia Souza Aguiar (43 anos) e Janete Chagas (39 anos), Elas, que são ex-vizinhas na localidade de Santa Tereza, no departamento de Caguazu, Paraguai, foram as últimas pessoas a chegarem ao acampamento. Enquanto montavam o novo abrigo improvisado, elas contaram sobre o retorno ao Brasil na carroceria de um caminhão locado por 12 pessoas.

"Precisei vender fogão, geladeira, meus potes. Tudo para juntar dinheiro e voltar”, explicou Janete. Nascida em Missal, no Paraná, ela se mudou para o Paraguai, aos dez anos, juntamente com a família. Janete morou durante três décadas em fazendas e jamais aprendeu espanhol ou guarani, as línguas locais. Tampouco, conseguiu realizar o sonho de comprar uma casa própria.

Há cerca de quatro anos, devido às mudanças na família dos patrões e a separação do marido, ela foi obrigada a arrumar emprego doméstico na cidade. A decisão de votar ao Brasil com quatro dos seis filhos é acompanhada de esperança.

“Aqui, vou ter a minha terrinha para ter vaca de leite. Lá, eu tirava leite na vaca dos outros, aqui vai ser minha”, disse. / com informações do Ministério do Desenvolvimento Agrário

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